Cientistas descobriram
que desativar um único gene em ratos permite que eles comam o máximo de comida
que quiserem sem ganhar peso. Com o Natal chegando,
a notícia pode parecer muito animadora, mas ainda não foi testada em humanos
--e pode levar algum tempo até que seja.
Em um artigo publicado no periódico
científico EMBO Reports, cientistas da University of Texas
Southwestern Medical Center e da Flinders Unversity, na Austrália,
mostraram que um gene específico, conhecido como RCAN1, atua como um inibidor
de resposta para todos os tipos de processos metabólicos e a produção de calor
corporal.
Depois de desativar
esse gene dos camundongos, eles confirmaram que os animais se tornaram
resistentes ao ganho de peso induzido pela alimentação. Além disso, seu
metabolismo recebeu uma sobrecarga, permitindo que eles queimassem mais
calorias.
Mas, infelizmente, o
sucesso da técnica nos ratos não garante o mesmo efeito em pessoas.
Em organismos menos
evoluídos, como o dos animais, é mais fácil conseguir resultados positivos. A
obesidade humana é uma doença multifatorial, um gene específico nunca é o único
responsável. Os indivíduos ainda contam com questões emocionais que podem
agravar o quadro médico Ciro Martinhago,
geneticista e doutor pela Unesp (Universidade Estadual Paulista).
No entanto, mesmo sem a
certeza da eficácia em humanos, o especialista afirma que a descoberta é muito
importante para novos tratamentos. "O futuro da medicina é personalizado,
como já vemos em alguns tipos de tratamentos contra o câncer. A descoberta
abre portas para a identificação de genes que possam ajudar em casos
específicos e um melhor conhecimento da obesidade", informa
Martinhago.
Os próximos passos são
estudar os ratos mais profundamente e testar a técnica em humanos. "Para a
experiência em humanos, seria necessário apenas bloquear o gene. A exclusão
poderia causar outros problemas, já que alguns genes exercem até 300 funções
diferentes. A ideia é que seja criado um medicamento que exerça o efeito de
forma segura", assegura o geneticista.


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