Um grupo de cientistas fez o primeiro estudo genético do mundo em pessoas
com acne e descobriu que muitas das variantes genéticas em comum entre os
indivíduos influenciaram a formação do problema. A revelação levanta a
perspectiva de novos tratamentos para casos graves da condição da pele.
Publicada no periódico Nature Communications na quarta-feira (12),
a pesquisa analisou os genes de quase 27.000 pessoas, incluindo 5.602 com acne
grave. Ao analisar os genomas, a equipe identificou 15 regiões dele ligadas ao
desenvolvimento de folículos pilosos (cavidades da pele onde os pelos nascem)
diferentes do normal.
De acordo com os cientistas, as variantes genéticas das pessoas com acne
eram responsáveis pela formação de folículos com estruturas e funções
alteradas. "Pode ser que a variação genética influencie a forma desses
folículos pilosos e os torne mais propensos a bactérias e inflamação, que são
uma característica da acne", diz Michael Simpson, chefe do Genomic
Medicine Group no King's College London.
Os pesquisadores revelaram, por exemplo, que uma das variantes, chamada
WNT10A, está ligada à displasia ectodérmica, uma condição que causa cabelos
finos e esparsos, assim como outras anormalidades físicas das unhas, dentes,
pele e glândulas. Cerca de 22% da variância fenotípica (características
observáveis) em pacientes com acne foram explicados pelas variantes genéticas
examinadas no estudo --as 15 regiões encontradas representaram 3% disso.
Novos tratamentos.
Os resultados do estudo podem levar a novos tratamentos mais eficazes do
que os atuais, segundo os cientistas. "Várias variantes genéticas apontam
para mecanismos interessantes que podem ser realmente bons alvos para novos
medicamentos ou tratamentos que realmente ajudariam os pacientes", afirma
Simpson.
Embora a acne possa parecer trivial, indivíduos com essa condição
inflamatória cutânea podem sofrer com cicatrizes e problemas emocionais.
"A acne pode ter graves consequências emocionais e psicológicas e tem sido
associada à depressão, desemprego, ideias suicidas e suicídio em si",
escrevem os autores.
Atualmente, o problema não tem um tratamento perfeito. Quem sofre dele
usa cremes, pomadas e pílulas, mas muitas vezes eles não são eficazes. O novo
estudo, entretanto, fornece esperança para novas possibilidades de tratamento,
com menos efeitos colaterais do que os medicamentos atuais.


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