Um profissional
graduado do BNP Paribas que chamou uma colega de "princesa" explicou
à justiça que fez uma brincadeira amigável e que não subestimava o valor do
trabalho dela por ser mulher.
Regis Pecheux,
responsável por vendas corporativas na Europa Central, Leste Europeu, Oriente
Médio e África, afirmou a um tribunal em Londres na quinta-feira que usou o
termo de "brincadeira" para se referir à colega Angelina Georgievska.
Pecheux era supervisor dela
"Eu certamente não
considerava na época que isso a diminuía", disse ele. "A intenção era
amigável."
Ele está depondo em um
tribunal trabalhista após Georgievska, responsável pelo grupo de derivativos
corporativos nas mesmas regiões, processar o BNP por discriminação sexual e por
limitação física. Ela está de licença médica desde março de 2017 por causa de
tumores uterinos que provocam "dor extrema" e a deixam de cama.
Pecheux chamou a colega
de "princesa" quando ela não estava presente, de acordo com relato de
um outro colega ao tribunal.
Quando descobriu,
Georgievska sentiu que o termo era "muito ofensivo e prejudicial",
segundo documentos apresentados à justiça.
Uma porta-voz do BNP
afirmou que o banco sediado em Paris "investigou profundamente" o
ocorrido e está "satisfeito com a conclusão de que as acusações de
discriminação e tratamento injusto não têm fundamento."
Em depoimento, Pecheux
disse que Georgievska costumava chegar ao trabalho mais tarde e que usou a
palavra para indicar que ela era "alguém acima dos demais" e que,
portanto, tinha condições de chegar depois. "Eu perguntei: onde está nossa
princesa hoje?"
"As trocas
engraçadas eram regulares", disse Pecheux, que também chamou a colega de
"choupette" - "gracinha" em português. Ele não lembra se
usou o termo na frente dela ou pelas costas, mas garante que
"absolutamente não havia intenção de diminuí-la."
Ele admitiu que outra
pessoa do banco chamou sua atenção mais tarde, alertando que a palavra princesa
era inadequada.
Na justiça trabalhista
do Reino Unido, a indenização é limitada em aproximadamente 84.000 libras
esterlinas (US$ 106.400), a menos que o trabalhador prove que houve
discriminação ou que delatou ações impróprias.
Quando casos de
discriminação sexual acabam no tribunal, os bancos geralmente entram em acordo
em vez de permitir que os problemas sejam discutidos publicamente.


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