"Tudo está ótimo
com a minha namorada se eu não pensar na nossa vida sexual. Ela não consegue se
soltar na cama, a impressão que tenho é de que ela vive o sexo como se fosse um
pecado. É comum ficar parada, sem se mexer, como se nada estivesse acontecendo.
Parece até que nem está ali. O mais curioso é que quando a conheci ela era a
mulher mais sensual da festa. Seu jeito de andar e dançar deixava qualquer
homem excitado. Isso sem falar na roupa justa e curta que usava. Ficamos juntos
naquela noite, e juro que pensei que seria o melhor sexo da minha vida. Não
entendi o comportamento dela, mas como estava muito a fim, continuei o namoro.
Só que agora isso está virando um problema sério. Ela faz com que eu me sinta
um tarado. Não foram poucas as vezes que caiu em prantos no meio da transa. Não
consigo entender porque isso acontece."
***
Muita gente pensa que
hoje o sexo é livre. Afinal, ele está em toda parte. A quantidade de programas
de TV com apelos sexuais seria a prova incontestável disso, entretanto, na vida
de cada um, liberdade sexual é objetivo difícil de ser atingido. O sexo é alvo
da maior perseguição na área dos costumes e fonte de grandes sofrimentos. Todos
se reprimem e estão sempre prontos a criticar o outro por sua conduta sexual.
As pessoas padecem por conta das próprias fantasias, desejos, culpas, medos e
frustrações sexuais.
O psicanalista
austríaco Wilhelm Reich (1897-1957) tinha razão quando denunciou a miséria
sexual das pessoas. Ele lutou a vida inteira, apesar dos ataques sofridos, para
convencer-nos de que a sexualidade, quando expressa de modo adequado, é a nossa
principal fonte de felicidade. E quem é feliz está livre da sede de poder. Ele
dizia que, se alguém tem a sensação de uma vida viva, alcança uma autonomia que
se nutre das potencialidades do "eu". Em vez da sexualidade dirigida,
da sexualidade impessoal, diz ele, as pessoas se tornariam abertamente felizes
em seu amor.
Controlar a sexualidade
das pessoas significa controlar as pessoas. Esse processo se inicia na infância
e continua por toda a vida. Os valores repressores são absorvidos de tal forma
que, não percebendo sua existência, as escolhas pessoais, predeterminadas no
inconsciente, assumem aparência de escolhas livres. Esse é o grande perigo da
repressão sexual e o principal motivo da baixa qualidade do sexo praticado.
O psicoterapeuta e
escritor José Ângelo Gaiarsa (1920-2010) afirma que quanto mais a pessoa
amplia, aprofunda e diversifica sua vida sexual, mais corajosa se torna. Vive
com mais vontade, mais alegria, esperança e decisão. Pode vir a representar
perigo do ponto de vista da ordem estabelecida. Por ser arriscado, a maior
parte das pessoas renuncia à sexualidade e fica quieta no seu canto e vai se
apagando de vida, de corpo e de espírito.
Para a maioria o sexo
está a serviço de outros objetivos. Mas é inegável que, apesar de tudo, algumas
pessoas conseguem romper com a repressão e alcançam a autonomia, buscando no
sexo o que ele mais pode oferecer: prazer sexual.
Sobre
a autora.
Regina Navarro Lins
é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e
sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e
"Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e
realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa
“Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no
programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.
Sobre
o blog.
A proposta deste espaço
interativo é estimular a reflexão sobre formas de viver o amor e o sexo, dando
uma contribuição para a mudança das mentalidades, pois acreditamos que, ao se
livrarem dos preconceitos, as pessoas vivem com mais satisfação.


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