A
candidata da Espanha no Miss Universo, que será realizado na
segunda-feira (17) em Bangcoc (domingo, no horário de Brasília), é a primeira
aspirante transgênero da história do concurso, onde quer representar a
"diversidade dos seres humanos".
Angela Ponce,
de 27 anos, que trabalha na Espanha em uma ONG que defende jovens transgêneros,
explica à "AFP" a trajetória que a levou a este concurso.
O concurso Miss
Universo, que completa 66 anos, teoricamente é aberto às pessoas transgênero
desde 2012, mas até agora nenhuma delas tinha chegado a esta etapa do evento.
"Ter uma vagina
não me transformou em mulher", aponta Angela Ponce, ao explicar que nasceu
homem e ao comentar os planos do presidente americano, Donald Trump, de definir
o gênero pelo sexo de nascimento.
Trump, ex-proprietário
do Miss Universo, prevê também a obrigatoriedade do serviço militar para as
pessoas transgênero, segundo um documento da Casa Branca divulgado em outubro.
Identidade de mulher.
"Sou uma mulher
desde antes de nascer, porque minha identidade está aqui", diz Ponce,
apontando para a própria cabeça. Ser uma mulher é uma "identidade",
explica. "Não importa se você é branco, negro, se tem uma vagina ou um
pênis".
Em relação ao
sentimento de ser uma mulher transgênero no concurso de Miss Universo, diz:
"A responsabilidade que sinto é que não represento apenas a mulher
espanhola".
"Represento uma
diversidade de mulheres e de seres humanos, que se identificaram com minha
vida", acrescenta Ponce, que diz esperar que as sociedades modernas
aceitem cada vez mais as pessoas transgênero.
A Miss Espanha afirma
ter sofrido "preconceitos" e "assédio", mas se mostra
esperançosa com uma mudança de mentalidade.
"As crianças
nascem sem preconceitos, e acredito que se falarmos com elas sobre a
diversidade desde pequenas (...) poderemos educar uma nova geração de seres
humanos muito mais tolerantes e respeitosos", diz.
Aparente tolerância.
A sul-africana
Demi-Leigh Nel-Peters, Miss Universo 2017, entregará a coroa a sua sucessora
durante a cerimônia em Bangcoc, transmitida ao vivo para 94 países.
A Tailândia, país
anfitrião deste concurso, é conhecida por sua tolerância em relação aos
transgêneros e por suas operações de mudança de sexo. Por isso representa um
claro contraste com os países vizinhos, de costumes mais conservadores, como
Mianmar e Vietnã.
Mas por trás desta
aparente tolerância, a Tailândia continua sendo uma nação conservadora, e as
pessoas transgênero têm dificuldades para encontrar um emprego estável fora da
indústria do sexo e do espetáculo.
Até 2012, a
transidentidade era considerada uma doença mental pelo exército. A mudança de
gênero não é sempre reconhecida legalmente, e nos passaportes fica indicado o
sexo de nascimento.



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