Quem abusa da bebida costuma acordar com muita dor de cabeça, enjoo e,
muitas vezes, alterações de humor e a famosa “ressaca moral”, por ter feito
algo que não devia enquanto estava embriagado. Para quem é muito tímido, porém,
esse mal-estar emocional vem com mais força ainda, segundo uma pesquisa.
Pessoas que sofrem de ansiedade social, ou seja, timidez patológica, com
frequência utilizam o álcool ou outras drogas como uma espécie de automedicação,
para se sentir menos inibidos em situações de exposição, como festas ou mesmo
no trabalho. Por isso, essa população costuma ser um grupo de risco para o
consumo abusivo de bebida alcoólica.
Pesquisadores das universidades de Exeter e da College London, no Reino
Unido, decidiram avaliar os efeitos da substância em 100 pessoas diferentes
graus de ansiedade social e descobriram que sim, a bebida é capaz de ajudar os
mais tímidos a relaxar. O efeito foi notado após o consumo, em média, de seis
unidades de álcool, o que seria o equivalente a seis tulipas de cerveja – uma
quantidade bem acima do beber com moderação.
No entanto, esse relaxamento para os mais tímidos foi substituído por um
aumento considerável no nível de ansiedade no dia seguinte, em comparação com
os mais extrovertidos. É praticamente um efeito rebote, de acordo com os
autores, em alguns casos debilitante.
Os pesquisadores também descobriram que quanto maior era essa ansiedade
na ressaca, maior era a pontuação dos participantes no teste que é usado para
identificar transtorno de uso de álcool em indivíduos com timidez patológica.
Os resultados do estudo reforçam a ideia de que tratar a ansiedade social
é importante para evitar problemas com a bebida, o que envolve a aceitação de
que tudo bem ser mais quieto ou envergonhado que a média.
Essa relação perigosa dos tímidos com álcool ou drogas em geral costuma
se instalar na adolescência, uma época em que a cobrança para ser igual aos
pares é grande, bem como a dificuldade em se aceitar.
É importante que pais, amigos e os próprios jovens fiquem atentos ao
problema. Nem todo adolescente que exagera na bebida vai ter um problema sério
ou se tornar alcoólatra. Mas os estudos mostram que usar a substância para
aliviar algum tipo de emoção negativa aumenta esse risco de forma
significativa.
Trabalhar a autoaceitação e desenvolver estratégias para sofrer menos em
situações de exposição social requer iniciativa e, muitas vezes, a ajuda de um
terapeuta especializado. Mas tenha certeza que esses esforços são pouco se
comparados aos danos que o uso abusivo de álcool pode causar.


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