Quem nunca se viu com
uma mancha roxa na pele? É normal que ela apareça depois daquela topada na
quina da mesa ou de um acidente no futebol do fim de semana, entre tantas
outras situações. Por outro lado, quando as marcas surgem com uma certa
frequência e sem motivo aparente, é importante investigar.
Sinais arroxeados são
manifestações hemorrágicas e podem ser classificadas como petéquias, equimoses
e hematomas. As primeiras são pontos vermelhos que
aparecem e somem rapidamente. As equimoses são manchas maiores que um
centímetro, que normalmente se manifestam após uma contusão. Os hematomas são
grandes marcas roxas, resultantes de um acúmulo de sangue nos vasos.
"O hematoma
significa um extravasamento de sangue para o tecido subcutâneo (abaixo da pele)
ou para dentro dos músculos --os chamados de hematomas musculares",
explica a hematologista Suely Meireles Rezende, professora do Departamento de
Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG). O primeiro tipo geralmente ocorre após um trauma ou queda. O segundo
consiste em um sangramento profundo e quando ocorre de forma espontânea, sugere
a existência de uma doença hemorrágica.
O que os hematomas
espontâneos podem indicar?
Antes de qualquer
coisa, é importante saber que a maioria das manchas roxas está relacionada a
traumas provocados por pancadas e lesões, ou seja, não são graves ou indicam
doenças. Quando surgem aleatoriamente, porém, podem ser
indícios de alterações plaquetárias ou dos fatores de coagulação. No primeiro
caso, pode ser provocada tanto por uma queda no número das plaquetas (o que
geralmente é causada por medicamentos) ou por doenças como:
- Púrpura
trombocitopenica imune (PTI): é um doença autoimune, que ocorre porque o
sistema de defesa do organismo erroneamente ataca e destrói as plaquetas;
- Leucemia aguda e
crônica: a aguda é um tipo de câncer que leva à produção
anormal de células sanguíneas, e a crônica ocorre porque as células normais
fabricadas pela medula óssea são substituídas por células leucêmicas,
comprometendo a produção de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas;
- Aplasia de medula:
quando há uma produção bem menor (ou simplesmente nenhuma produção) de células
do sangue. A causa nem sempre é conhecida, mas pode ter a ver com agentes
químicos, radiação e medicamentos;
- Doenças infecciosas: como
dengue, febre amarela e outras que alteram a produção de plaquetas.
Quando o hematoma tem
relação com fatores de coagulação, as alterações podem ser adquiridas ou
congênitas, como:
- Hemofilia:
doença genética rara que se caracteriza por sangramentos espontâneos (internos
ou externos) e pela dificuldade do sangue em coagular, o que leva a pessoa a
sangrar além do normal quando se corta, por exemplo;
- Doença de von
Willebrand: geralmente é hereditária, mas também
pode ser adquirida ao longo da vida. Ela afeta uma proteína do processo de
coagulação do sangue, levando a um quadro persistente de hemorragia.
Gravidade e tratamento.
Quando um hematoma
aparece do nada e permanece, ou quando aparece com frequência, é preciso
investigar. Isso inclui prestar atenção também a outros sintomas. "A
presença de sangramento em outros locais, como gengiva ou nariz, assim como
febre, fraqueza ou perda de peso, pode ser sinal de alerta de algumas doenças e
deve ser informada ao médico", orienta Guilherme Perini, hematologista
da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.
Para determinar se um
hematoma representa risco, é preciso levar em consideração o histórico clínico
do paciente, há quanto tempo a mancha está visível, se pode haver associação
com o uso de algum remédio ou com outra doença, a história familiar de
sangramentos ou consanguinidade (afinidade por laços de sangue) e a
identificação dos medicamentos de rotina utilizados.
"Algumas causas
adquiridas de manifestações hemorrágicas, como as leucemias agudas, são muito
graves e devem ser diagnosticadas o quanto antes, para início imediato do
tratamento", afirma Marília Sande Renni, hematologista Instituto Estadual
de Hematologia do Rio de Janeiro (Hemorio).


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