sábado, 4 de setembro de 2010

COMO LIDAR COM AS TROCAS DE SONS NA FALA?...

Os filhos são o orgulho dos pais, mas quando um deles apresenta alguma dificuldade na fala ou desenvolve-a mais lentamente, a família fica ansiosa e não sabe como lidar com a situação. O certo em tais circunstâncias é buscar ajuda clínica. O desenvolvimento da fala é parte de um processo cognitivo maior, o de aquisição da linguagem.
Nele, atuam as condições físicas do aparelho vocal, além do ambiente e dos laços afetivos que fazem parte da vida da criança. O período entre o primeiro ano de vida e os cinco anos de idade da criança caracteriza-se por intensa atividade lingüística. Nessa fase, são comuns e naturais as gagueiras e as trocas ou ausências de sons (fonemas) em certas palavras. Trocar alguns sons é normal nessa faixa etária.
Mas, se após os seis anos, o seu garotão ou a sua princesinha ainda falar “totolate”, para chocolate, “elado” para gelado e “caleca” para careca, algo precisa ser feito para ajudá-lo. Freqüentemente, os pais levam algum tempo para buscar um profissional especializado. Acham que o filho fala errado por preguiça, por ser mimado ou por querer fazer graça. As alterações na fala são percebidas como diferenças pelo “mundo dos falantes” e esse modo peculiar de comunicação da criança traz dificuldades ao seu convívio social, principalmente, na fase escolar. Quando tal fato ocorre, a criança torna-se alvo de constrangimentos, pois é reconhecida apenas por sua dificuldade de fala. Nesse período, é comum receber “apelidos” que, por vezes, permanecem por longo tempo, o que resulta em prejuízos emocionais. Outras vezes, por falta de preparo, até o próprio professor ajuda a discriminar as crianças. Ao falarmos, estabelecemos uma perfeita distinção de sons e muitas crianças falam “erradamente” por não os distinguirem claramente. Se o seu filho troca “p” por “b”; “d” por “t” entre outros sons, cuidado, ele pode não ouvir bem.
O primeiro passo é fazer um exame de sua audição. É certo que, ao falar diferente após os seis anos, a criança precisa de ajuda. O início do tratamento deve ser com uma consulta ao pediatra, depois, simultaneamente, ao psicólogo e ao fonoaudiólogo.
Muitos pais buscam o neurologista em primeiro lugar, o que é um equívoco, pois só uma parcela mínima de crianças apresenta problema de natureza neurológica com interferência na fala.
Devemos considerar também que os tratamentos de fala são longos e caros, o que traz frustração à família, gerando angústias que se refletem diretamente na fala da criança, fazendo-a evitar o convívio social que envolva o discurso oral.
Enquanto um número expressivo de crianças apresenta problemas de fala, existem outras que não apresentam problema algum, apenas um início tardio por possuírem um ritmo mais vagaroso de aquisição da linguagem.
Em qualquer um dos casos, o preparo das famílias e dos professores é fundamental para um tratamento bem-sucedido, evitando, assim, que a demora na busca de soluções agrave o problema, tornando-o de grandes proporções e provocando danos irreparáveis à criança.

Nenhum comentário:

Postar um comentário