sexta-feira, 3 de setembro de 2010

UMA PODEROSA ARMA EMOCIONAL: O PRECONCEITO...

Existe em nossa sociedade um mal, atende pelo nome de preconceito. Às vezes velado, discreto; outro agressivo e direto e, mesmo sem qualquer fundamento, não poupa o seu alvo. O preconceito é variado e aparece em situações inesperadas. Quando alguém é diferente dos demais, é visto com maus olhos. O preconceito é freqüente nas religiões, nas classes sociais, no maior ou menor grau de escolaridade, no fato de ser gordo ou magro. E até o modo de falar pode provocar preconceitos, pois as diferenças são tratadas com intolerância por nossa sociedade.
O Brasil é maravilhoso. País do samba, do futebol, mas é também o País do preconceito. A maioria das abordagens sobre preconceito limita-se a descrevê-lo, denunciá-lo e até reprimi-lo sem mostrar, entretanto, suas raízes sociais e seu envolvimento nas lutas de poder de nossa sociedade, inclusive as travadas entre pessoas de diversas culturas e de diferentes classes sociais. O preconceito, independentemente de sua classificação, é uma arma, uma poderosa arma emocional. Agride e magoa. Restringe acessos, priva o cidadão dos seus direitos. Torna-se lamentável quando usada para “exibir” e mostrar alguma superioridade. Em verdade, a pessoa ao expressar preconceitos, esconde complexos.
Além do preconceito étnico (raça e cor) e da classe social (ricos e pobres), há preconceitos que atingem duramente a auto-estima. Raramente as pessoas são poupadas de comentários sobre o fato de terem emagrecido ou não. No caso dos gordinhos, essas pessoas são “simpáticas”, ou, no máximo, “tem um rosto bonito”. Se forem magras, são doentes ou padecem de aneroxia. Mas, entre todos os preconceitos, o mais freqüente no dia-a-dia é o preconceito lingüístico. A rejeição ao medo de falar de certas pessoas ou de regiões é tão-somente um disfarce para um profundo preconceito social, não apenas contra esses falares, mas contra a própria identidade individual e social do brasileiro.
Nada contra os intelectuais, conhecedores da língua padrão, da gramática, usuários de palavras rebuscadas, como “falácia” e “interface”. O problema é o pedantismo, a pretensão daqueles que se acham melhores falantes que os demais brasileiros. Acreditam ser a sua fala a mais “certa”, a mais “bonita” do que a das pessoas com pouca instrução. Em País pobre, sem escola e sem acesso a livros, onde milhões sofrem todo tipo de exclusão, vitimas do descaso dos governantes, coibir também as diferenças nos falares seria ato perverso contra a cidadania. Então, quando alguém diz que vai “esmagrecer”, ou que está ouvindo “raidio”, ou que vai comer com “galfo”, embora contrarie a norma culta da Língua Portuguesa, ainda assim é fala de brasileiro. Tem de ser respeitada.
Acabar com o preconceito pode ser algo difícil, pois os preconceitos servem a interesses nas lutas de poder. Extingui-los significa prejudicar aqueles que podem discriminar e excluir. A alternativa é lutarmos contra o preconceito, democratizando a sociedade, dando oportunidades iguais, reconhecendo e aceitando diferenças.

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