FONTE: Chayenne Guerrero, TRIBUNA DA BAHIA.
Um estudo do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas
Psicotrópicas (Cebrid), instituição ligada à Universidade Federal de São Paulo
(Unifesp), mostrou que em 2011, 1,4% dos estudantes do Brasil colocaram a saúde
em risco para ganhar músculos. Em 2004, primeiro ano pesquisado, o índice era
de 0,8%, um aumento de 75% em seis anos.
Na quinta-feira (17/6), uma mesa
redonda, com participações de estudantes do ensino médio, professores de
educação física, nutricionista, personal trainer e atleta de bodybuilder
reacendeu as discussões sobre o uso de substâncias que têm como fim a “busca
pelo corpo perfeito”.
Foram discutidos temas como: momento adequado
para os jovens iniciarem a musculação; a influência da alimentação nos
resultados da musculação e na vida; os efeitos dos anabolizantes no desempenho
físico e a individualidade biológica.
Para um dos incentivadores do projeto, o professor
de educação física, Tarcisio Barreto, a necessidade de apresentar a realidade
de atletas para os alunos, surgiu das discussões em sala de aula. “Esses
estudantes de ensino médio estão vivendo uma época de estouro do fitness, e
estão procurando cada vez mais o esporte, a atividade física, e a musculação.
Muitas vezes eles se espelham em famosos e nas fotos das revistas, e a
realidade, é muito diferente disso. Trouxemos profissionais para sanar as
dúvidas deles, abrir os olhos, e alertamos eles que na verdade, tudo que eles
pensavam sobre a malhação, estava errado,” conta o professor.
De acordo com Barreto a busca cada vez mais
cedo pelo corpo perfeito não é um problema, desde que seja feita com
acompanhamento. “Já ajudei crianças de oito anos, sem nenhum problema. Esporte,
atividade física, é saúde. Claro que feito com um acompanhamento de um
profissional adequado, para que não atrapalhe o crescimento dele, e que não
tragam prejuízos irreversíveis,” explica.
A estudante Tainã Silva tem 16 anos
e aos 13 já tinha iniciado a vida na academia, para ela, musculação foi uma
questão de saúde. “Eu sempre tive
hipertireoidismo, desde os nove anos, fui ganhando peso e meus pais acharam que
o melhor pra mim era fazer uma atividade física que envolvesse aeróbico e
musculação, me ajudou muito e eu me apaixonei. Aproveitei essa palestra para
tirar dúvidas sobre como a academia pode modificar aspectos do corpo da mulher
que é uma atleta, como o ciclo menstrual e a gravidez,” conta a estudante.
Jovens têm dúvidas sobre
ganho muscular e dietas.
Segundo o nutricionista João Paim, entre as
maiores dúvidas dos jovens estão as questões de ganho muscular, uso de
anabolizantes e dietas revolucionarias. “Tentamos explicar que não é por que a
dieta da atriz, ou da amiga, deu certo pra ela, que vai dar certo pra todo
mundo. É necessário um acompanhamento medico. Uma alimentação errada pode
trazer uma série de doenças que vão desencadear no futuro desse jovem, como a
obesidade, diabetes e até mesmo a anorexia. Um treino errado, pode trazer
problemas articulares, e o uso de anabolizantes pode trazer doenças como o
câncer, hipertensão e problemas renais,” pontua o nutricionista.
A mesa redonda foi composta por: Leandro
Barreto, (professor de educação física, personal trainer, atleta de bodybuilder
na categoria estreante até 70kg e baiano até 70kg sênior); Hamilton de Pádua
(professor de educação física, personal trainer, atleta de bodybuilder na
categoria estreante até 65kg e baiano até 65kg sênior) e João Paim
(nutricionista, pós graduando em nutrição clínica e esportiva e coordenador da
rede Nutrition Store). O evento, que aconteceu no auditório do colégio
Salesiano Dom Bosco, foi uma iniciativa da própria instituição.
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