FONTE: Do UOL, em São Paulo (noticias.uol.com.br).
Fumar maconha várias
vezes ao dia durante anos pode danificar a química do cérebro responsável pela
sensação de prazer, segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de
Saúde Mental dos Estados Unidos com a Universidade Harvard.
A pesquisa foi
divulgada recentemente na revista "Proceedings", da Academia Nacional
de Ciências dos EUA.
Cientistas
descobriram que o cérebro dos que abusam da maconha reage menos à dopamina,
substância química liberada pelo cérebro, que causa a sensação de bem estar. A
dopamina é ativada geralmente durante a alimentação, no sexo ou durante o uso
de drogas.
A descoberta foi
feita depois que a equipe de pesquisadores analisou a produção de dopamina no
cérebro de 48 pessoas, 24 delas que haviam fumado pelo menos cinco cigarros de
maconha por dia, cinco dias por semana, por 10 anos; e outras 24 sem esse
histórico (grupo controle).
A cada um deles foi dado
uma dose de metilfenidato, mais conhecido como Ritalina, remédio que aumenta a
liberação de dopamina.
Imagens do cérebro
das 48 pessoas revelaram que todas produziram mais dopamina após tomar a droga,
como era esperado. Mas, enquanto os integrantes do grupo controle tiveram
aumento da pressão e das batidas cardíacas e se sentiram mais eufóricos, os
usuários frequentes de maconha não apresentaram essas alterações.
A falta de uma
resposta física sugere que os usuários frequentes de maconha podem ter seu circuito
de recompensa no cérebro danificado pelo uso da droga, segundo Nora Volkow,
diretora do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas, do Instituto Nacional de
Saúde Mental dos EUA, e autora do estudo.
A pesquisa não
indicou que os usuários frequentes de maconha produzem menos dopamina, mas
passam a ter menos a sensação que ela induz, como se o uso da droga alterasse
seu mecanismo. Os pesquisadores só não conseguiram descobrir porquê isso
acontece.
"Não ser capaz
de destrinchar causa e efeito é uma limitação em um estudo como este, diz
Volkow.
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