FONTE: Gretchen Reynolds, do New York Times (boaforma.uol.com.br).
O exercício de alto
impacto traz muitos benefícios à saúde, e uma desvantagem em particular: por
ser fisicamente desgastante, acaba desestimulando muitas pessoas a começar ou
manter um programa intensivo. Um novo estudo, porém, sugere que ouvir música faz
os treinos extenuantes parecerem mais fáceis – e pode fazer as pessoas irem
mais longe do que acreditam ser possível.
O treino pesado,
especialmente na forma de treinos intervalados (exercícios aeróbicos combinados
com movimentos de baixa e alta intensidade), tem despertado interesse em
muitos cientistas e esportistas nos últimos anos. Estudos já mostraram
que sessões de 15 ou 20 minutos de treino intervalado melhoram a aptidão física
e reduzem o risco de muitas doenças crônicas tanto quanto sessões muito mais
longas de exercícios moderados e contínuos.
Mas, como vários que
experimentaram esse tipo de exercício rapidamente aprenderam, esse tempo gasto,
por mais curto que seja, é fatigante. Muitos consideram a experiência
"aversiva", declarou Matthew Stork, estudante da Universidade
McMaster em Hamilton, Ontário, que comandou o estudo, publicado na revista
"Medicine & Science in Sports & Exercise".
Stork e seus colegas
da McMaster, que conduziram estudos de treinos intervalados de alto impacto, se
perguntaram se seria possível encontrar maneiras de modificar a percepção das
pessoas sobre o pouco prazer gerado pelos exercícios. É impossível reduzir
substancialmente a intensidade em si, ele sabia, sem reduzir os benefícios
fisiológicos, mas talvez fosse possível alterar a sensação das pessoas quanto à
dificuldade.
Ele e seus colegas
pensaram imediatamente em música.
Muitos estudos
anteriores descobriram que ouvir música altera as experiências das pessoas com
o exercício, e a maioria dos praticantes relatam que escutar canções animadas
faz a malhação parecer mais fácil e menos monótona.
Mas esses estudos
geralmente envolviam exercícios padrão de resistência, como 30 minutos correndo
ou pedalando continuamente. Poucos examinaram o efeito que a música poderia ter
durante intervalos intensos, em parte porque muitos cientistas suspeitavam que
esses treinamentos fossem desgastantes demais. O ruído fisiológico de músculos
e pulmões, segundo muitos cientistas, abafaria a música, tornando qualquer
efeito insignificante.
Mas Stork não se
convenceu. Então, recrutou 20 voluntários adultos jovens e saudáveis, sem que
nenhum deles já houvesse praticado o treino intervalado de alto impacto. Ele os
trouxe para o laboratório e explicou o treinamento.
A sessão específica
que os voluntários seguiram era bastante simples. Usando bicicletas
ergométricas, eles completavam quatro séries de 30 segundos do que os
pesquisadores classificam como uma pedalada "pesada", na maior
intensidade que cada voluntário aguentasse. Cada série de 30 segundos era
seguida por quatro minutos de tempo de recuperação, durante o qual os
voluntários podiam pedalar suavemente ou descer da bicicleta e caminhar.
Durante os intervalos pesados, os cientistas monitoravam a potência da pedalada
e perguntavam aos voluntários como os exercícios lhes pareciam, e se eles
estavam se divertindo ou não.
Após o treino, os
voluntários se sentavam e ouviam suas músicas favoritas, que os pesquisadores
baixaram da internet e usaram para criar listas personalizadas.
Então, cada voluntário
retornava duas vezes ao laboratório, realizando duas outras sessões dos
intervalos de alto impacto. Durante um dos intervalos, eles ouviam sua lista
escolhida. No outro, não ouviam nada.
Depois, os
pesquisadores compararam os níveis de potência dos participantes e os
sentimentos relatados sobre a dificuldade dos treinos. Todos os
voluntários relataram que os intervalos haviam sido difíceis. Na verdade, suas
sensações sobre a dificuldade foram quase idênticas, ouvindo música ou não.
O interessante foi
que sua potência havia sido substancialmente maior nos testes com a música.
Eles estavam pedalando com muito mais força do que sem música, mas não
classificaram esse esforço como mais desagradável. Sem a música, o treino foi
avaliado como oito ou mais numa escala de zero a 10 em desconforto (com 10
sendo insuportável).
Com música, cada
intervalo ainda pareceu aos participantes como um oito ou mais, mas eles
estavam malhando muito mais forte durante cada série de 30 segundos. A
intensidade aumentou, mas não o desconforto.
Questionados pelos
cientistas no fim do experimento, todos os 20 voluntários disseram que, se
fossem praticar o treino intervalado por conta própria após o estudo,
definitivamente iriam ouvir música para ajudar com os exercícios.
Não ficou claro como
a música afeta o desempenho e as percepções durante exercícios intensos,
afirmou Stork, mas provavelmente envolve "reações a estímulos". O
corpo responde ao ritmo da música com uma aceleração fisiológica que o prepara
para as exigências dos intervalos.
As pessoas também
podem procurar a música na esperança de ignorar as insistentes mensagens
corporais de desconforto. Naturalmente, a música não consegue anular todas
essas mensagens, apontou Stork. Mas ela pode silenciá-las e deixar o praticante
mais aberto a enfrentar outra sessão de intervalos, suor e músicas.

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