FONTE: Matheus Fortes, TRIBUNA DA BAHIA.
O estado possui hoje 60 unidades da rede própria
do programa, dos quais 16 estão na capital.
Desde
2014, 60 unidades do programa Farmácia Popular do Brasil, do Governo Federal,
fecharam as portas no país. Destas, 25 estão na Bahia, que também lidera a
lista dos estados com mais fechamentos.
O
estado possui hoje 60 unidades da rede própria do programa, dos quais 16 estão
na capital. Em contrapartida, o programa “Aqui tem Farmácia Popular” abrange um
número bem maior, com 1.230 farmácias privadas credenciadas – das quais
aproximadamente 200 estão em Salvador.
O
fechamento das unidades, no entanto, ainda preocupa pessoas como a cozinheira
aposentada Maria das Graças Almeida, que sofre da angina de peito, que é uma
doença cardiovascular.
Com uma
renda apertada, onde ainda entra despesas de uma de suas filhas, e do seu neto,
ela, que antes comprava seu remédio na unidade da Ladeira dos Galés, em Brotas,
agora já começou a adquiri o remédio em outro estabelecimento do programa de
farmácias credenciadas.
Mas,
embora já tenha achado um novo local para comprar o medicamento, a incerteza
continua. “Não sei até quando vou encontrar esse remédio lá na farmácia, e pode
ter ocasião de não conseguir encontrar e precisar tirar bem mais do bolso pra
poder pagar. Se isso acontecer, já vou precisar tirar parte mexer no
orçamento”, explicou.
Para o
vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos
(Sincofarba), Luiz Trindade, uma das hipóteses que explicaria essa redução na
rede própria da FPB, seria o crescimento da quantidade dos estabelecimentos
comerciais que se credenciaram ao programa.
Buscando atender majoritariamente o público de baixa renda,
a FPB dispõe de medicamentos que se diferenciam com descontos que podem chegar
a 90%, em comparação com os valores praticados nos estabelecimentos
particulares. Na lista de 111 medicamentos (que ainda consta preservativo
masculino), disponibilizados na rede própria, 18 são distribuídos
gratuitamente.
MEDICAMENTOS.
Na rede
própria são disponibilizados remédios para o tratamento de hipertensão,
diabetes, asma, rinite, dislipidemia, doença de Parkinson, osteoporose,
glaucoma, além dos contraceptivos e fraldas geriátricas.
Na
lista, o medicamento mais caro é o frasco de 30 ml de micanazol, utilizado para
uso dermatológico, e que custa R$ 4,95 nos estabelecimentos da rede.
Nos
estabelecimentos credenciados, os valores de referência dos medicamentos para o
tratamento de dislipidemia, rinite, doença de Parkinson, osteoporose, glaucoma,
além dos contraceptivos e fraldas geriátricas, foram definidos para cada
princípio ativo pelo Ministério da Saúde que subsidia até 90% destes preços.
Assim,
o cidadão arca com a diferença até o preço de venda praticado pelo
estabelecimento (quando o preço do medicamento for igual ou maior que o preço
referencial).
No caso de medicamento cujo preço for inferior ao do valor
de referência, o Ministério da Saúde pagará até 90% do valor comercializado e o
cidadão o restante. Quanto maior o desconto concedido pelo estabelecimento ao
usuário, no que se refere ao preço final de venda, menor será a parcela paga
pelo usuário. Os medicamentos anti-hipertensivos, antidiabéticos e
antiasmáticos são dispensados de forma gratuita.
MINISTÉRIO.
Em
nota, o Ministério da Saúde informou Das 60 unidades habilitadas no estado da
Bahia, 28 possuem como parceiro a Secretaria Estadual de Saúde (Sesab), que é
responsável pela manutenção das unidades.
Atualmente
todas elas estão fechadas por decisão da administração estadual. No entanto,
permanecem habilitadas e podem voltar a funcionar.
E que
“o governo federal repassa para as unidades em funcionamento o valor de
R$12.500,00 via Fundo Nacional de Saúde para cada unidade em funcionamento. As
unidades fechadas ficam com o repasse de manutenção suspenso”.
Fechamento não gera desabastecimento, diz Sesab.
Consultada
pela Tribuna da Bahia, a Sesab explicou que farmácias populares que funcionavam
no estado através de convênio com o Ministério da Saúde encerraram as
atividades em 2015, sendo um dos motivos a comercialização dos ativos da
Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), onde estavam instaladas as unidades.
O
desequilíbrio entre as receitas e despesas também contribuiram para ampliar o
problema. “Por ano, as unidades consumiam recursos da ordem de R$ 7,6 milhões,
enquanto as receitas totalizavam aproximadamente R$ 1,1 milhão”, afirma a nota
da secretaria.
Ainda
em 2015, a avaliação do conselho curador da Bahiafarma – que realizava a gestão
das farmácias para a Sesab e possuia participação de representantes da Fundação
Oswaldo Cruz (Fiocruz), Conselho Estadual da Saúde (CES) e Conselho Estadual
dos Secretários Municipais de Saúde (Cosems) –, além do governo estadual,
decidiu-se, por unanimidade, recomendar ao Governo do Estado a transferência
das atividades da Rede Baiana de Farmácia Popular do Brasil para a rede de
farmácias privadas conveniadas ao Governo Federal.
“Entendia-se
que existia um sombreamento de ações nas atividades das unidades sob gestão da
Bahiafarma e isto devia ser eliminado a fim de otimizar o recurso público”,
destaca a nota, ao explicar que, dos 112 medicamentos disponíveis nas unidades
da Rede Baiana de Farmácia Popular do Brasil, a maioria é disponibilizada
dentro Programa da Assistência Farmacêutica Básica, que envolve Estado e
Municípios, e são encontrados, em sua maioria, nas Unidades Básicas de Saúde.
“Medicamentos
para diabetes, hipertensão e asma, por exemplo, são distribuídos gratuitamente
em mais de 800 farmácias credenciadas a rede “Aqui tem Farmácia Popular” na
capital e no interior, o que demonstra que não haveria qualquer tipo de
desabastecimento de medicamentos àqueles usuários”, afirma a Sesab.

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