FONTE: , TRIBUNA DA BAHIA.
Idade mais atingida por distúrbios alimentares é a
mesma de quem mais utiliza as redes sociais.
A ortorexia nervosa
é um comportamento obsessivo e patológico em que o paciente só come 'comida
saudável'. Em tempos de internet, com a disseminação de informações nem sempre
corretas, jovens, o público principal dos distúrbios alimentares, estão
vulneráveis à doença.
Andrea
Romero, professora de nutrição e gastronomia da Universidade Presbiteriana
Mackenzie, explica que pessoas com o transtorno veem apenas o lado biológico da
comida.
"Normalmente,
começam excluindo gordura, depois excluem os carboidratos. Eles têm um uso
excessivo dos alimentos considerados 'politicamente corretos', como
verduras", diz. Em alguns casos, chegam a dispensar até mesmo as frutas.
As
consequências da patologia podem ir além de cortar alimentos: pessoas deixam de
sair com amigos para não comerem nada 'errado' e também não querem proximidade
com quem coma de forma diferente, o que leva a um isolamento social. Além
disso, depressão e comportamentos obsessivos podem ser consequências.
Na
opinião da nutricionista, a principal causa do distúrbio é a cultura de
valorização da magreza. A internet também é um problema para os jovens, aqueles
que são mais atingidos pelos transtornos.
"A
idade de influência para desenvolver transtornos alimentares coincide com a
idade que mais usa a internet", explica.
Roberta
Pacheco, do blog fitness Frango com Batata Doce, afirma que eles tomam muito
cuidado com o conteúdo que transmitem aos seus seguidores. Para ela e para
Rodrigo, namorado e companheiro no blog, nem faz sentido a ideia de jamais
comer fora da dieta.
"Uma
coisa que a gente nunca faz, porque é zero nosso perfil, é fazer
alguns'terrorismos'", exemplifica. "Não falamos 'ontem comi muito,
então hoje tenho de treinar muito para queimar tudo.'"
No
entanto, a blogueira observa que no meio das 'musas fitness' muitas pessoas
incentivam esse comportamento, mesmo sem querer. "Vejo o tempo inteiro
[pessoas fazendo isso]. Acho que às vezes as pessoas não falam nem por mal,
querendo incentivar que as pessoas fiquem neuróticas", opina. "Mas na
cabeça delas é tão natural que a pessoa acaba passando isso sem nem perceber
que ela pode estar incentivando esse tipo de comportamento para outras
pessoas."
Andrea
reforça que é importante pensar que o alimento tem várias dimensões, como a
cultural, emocional, afetiva. "Desprezar e só focar em um lado é sempre
patológico", diz.


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