FONTE: Da Redação, TRIBUNA DA BAHIA.
Situação de vulnerabilidade social expõe pessoas a
violências psicológicas e físicas como o caso do morador de rua que foi
queimado na madrugada de ontem na cidade.
Em
Salvador, segundo informações do ‘Projeto Axé’, existem cerca de 22 mil pessoas
em situação de rua. A situação de vulnerabilidade social expõe os moradores em
situação de rua a todo tipo de violência física e psicológica.
Em
Salvador, na madrugada do dia 9, um homem conhecido como Rodrigues foi
queimado, por volta das 5h, em frente a uma lanchonete, no bairro de Nazaré, enquanto
dormia.
Ele
está internado no Hospital Geral do Estado (HGE) em estado grave. Segundo a
promotora de Justiça Márcia Teixeira, coordenadora do Centro de Apoio Operação
em Defesa dos Direitos Humanos (CAODH), o caso está na 1ª Delegacia de Polícia
(DP) sob a presidência do delegado Lúcio Ribeiro.
A procuradora-geral de Justiça Ediene Lousado designará um
promotor de Justiça para acompanhar diretamente as investigações. A promotora
de Justiça Márcia Teixeira e uma equipe de assistentes sociais
do MP mantiveram contato com o HGE e todos os desdobramentos já estão sendo
acompanhados pela Instituição.
Segundo
dados divulgados pela Prefeitura Municipal de Salvador, conflitos familiares,
alcoolismo e drogas são os principais fatores que levam as pessoas a viverem
nas ruas da cidade.
A
maioria é do sexo masculino (cerca de 75%) e mais da metade tem entre 25 e 44
anos de idade. Para discutir os principais problemas enfrentados por essa
parcela da sociedade, suas expectativas e demandas, o Ministério Público estadual
instituiu o ‘Grupo de Trabalho Institucional de Atenção e Preservação dos
Direitos da População em Situação de Rua’, que conta com a participação de
promotores de Justiça que atuam no Centro de Apoio Operação em Defesa dos
Direitos Humanos (CAODH), no Centro de Apoio Operacional da Criança e do
Adolescente (CAOCA), Centro de Apoio Operacional de Segurança Pública (CEOSP),
Centro de Apoio Operacional de Defesa da Saúde Pública (CESAU), Grupo de
Atuação Especial de Defesa dos Direitos dos Idosos e das Pessoas com
Deficiência (GEIDEF) e Grupo de Atuação Especial em Defesa da Mulher e da
População LGBT (GEDEM). Os integrantes do GT mantêm constante diálogo com
outras Instituições que atuam com a população em situação de rua, desenvolve
projetos, promove eventos para fomentar a discussão sobre a temática e
contribuir na elaboração de políticas públicas na área.
“A
situação é muito grave. Se não tivermos políticas públicas de empregabilidade,
saúde e educação, as pessoas voltam para as ruas. Precisamos de um olhar
sistemático e criterioso para essa população que vive em situação de
vulnerabilidade”, destacou a promotora de Justiça Márcia Teixeira.
Segundo
dados do último censo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), existem cerca de 1,8 milhão de moradores/as de rua no país,
o que representa cerca de 0,6% a 1% da população.
“Infelizmente,
as violações que acontecem com a população em situação de rua são resultados da
falta de políticas públicas e da falta de interesse das entidades
governamentais em resolver o problema. Até quando veremos companheiros nossos
serem assassinados sem ninguém tomar uma providência? O pior é que a maioria
das pessoas não vêem os moradores de rua como gente”, ressaltou Maria Lúcia
Pereira, coordenadora do Movimento Nacional da População em Situação de Rua
(MNPR).
O
movimento surgiu em 2004, em São Paulo, após o ‘Grande massacre da Praça da
Sé’, que ficou conhecido como o dia de luta da população em situação de rua.
Entre os dias 19 e 22 de agosto daquele ano, sete moradores de rua foram
brutalmente assassinados.

Nenhum comentário:
Postar um comentário