Masturbar-se
é mais simples do que fazer sexo a dois. Para começar, não existe exigência de
desempenho. Não é necessário ter uma ereção muito rígida, no caso do homem, nem
mantê-la por muito tempo. Também é dispensável passar pelo ritual corporal e
mental de preparação para o sexo, que requer relaxamento, envolvimento e
preliminares. E, no fim, você pode simplesmente gozar, virar para o lado e
dormir imediatamente, sem ter de falar sobre emoções.
“Preferir
se masturbar apenas significa que encontramos uma forma mais fácil de obter o
mesmo prazer sexual”, diz o psicoterapeuta sexual Oswaldo Rodrigues Jr.,
diretor do Instituto Paulista de Sexualidade.
Segundo
os especialistas, a masturbação tem um papel importante na sexualidade
individual e do casal. É uma maneira de "manter a chama do sexo e da
própria libido acesas", explica o sexólogo Rodrigo Torres, membro da
Sociedade Internacional de Medicina Sexual. "A masturbação proporciona
autoconhecimento, uma relação melhor com o corpo e com as fantasias íntimas –
que, depois, podem ser desenvolvidas no sexo a dois", diz Torres. Além
disso, é uma forma de lidar com apetites sexuais diferentes – afinal, se o par
não está muito a fim, por que não proporcionar o próprio prazer?
A
masturbação só se torna um problema quando prejudica o relacionamento ou faz a
própria pessoa ficar insatisfeita. "Se o outro se irrita com o
afastamento, sente-se rejeitado e interpreta aquele comportamento como falta de
atração, pode haver um desgaste", explica a psiquiatra Carmita Abdo,
coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade do Instituto de Psiquiatria
do Hospital das Clínicas de São Paulo. "A pessoa que se masturba também
pode se sentir culpada por não conseguir ter prazer na atividade a dois da
mesma forma que tem na masturbação", diz a psiquiatra.
Masturbação
muito frequente também traz riscos.
A
preferência pela masturbação pode ter origem na dificuldade de comunicar ao par
o que realmente gosta. O uso de brinquedos eróticos também pode estimular a
busca pelo prazer solitário. Os vibradores são um exemplo. "Há vibradores
de todas as formas e muito potentes. Utilizando-os, é possível chegar ao
orgasmo muito mais rapidamente", explica a psicanalista Lelah Monteiro,
especialista em Sexualidade pela Universidade Estadual de Londrina. De acordo
com os especialistas, homens que veem muita pornografia também podem preferir a
masturbação ao sexo.
Da mesma
forma, quem vive uma relação que caiu no comodismo pode acabar exagerando na
masturbação. "Quando um relacionamento se torna cansativo, a masturbação
pode ser a solução", diz Lelah. Contudo, ela afasta o casal do diálogo,
fundamental para resolver o descompasso. Outro risco é condicionar o corpo a só
responder aos estímulos solitários. "Ao se condicionar a ter prazer apenas
dessa forma, a pessoa não vai conseguir se excitar, conduzir e terminar o ato
sexual quando estiver com alguém. Homens que se masturbam repetitivamente podem
não conseguir ter ereção ou ejacular", diz Carmita Abdo.
Em longo
prazo, a masturbação como única forma de prazer também pode causar uma espécie
de déficit de atenção sexual, quando a pessoa não consegue se concentrar no
momento da transa e, então, não estabelece nenhum tipo de troca com o parceiro.
Masturbação
não deve ser encarada como fuga da relação.
Masturbar-se
é muito saudável, não importa o status de relacionamento. A prática só não pode
ser uma fuga de diálogos importantes entre o casal. É preciso haver liberdade
para falar o que não funciona mais na relação. "Relacionar-se é saber
lidar com frustrações. Tem que cair na realidade e entender que não há como ler
a mente do outro ou ter a mente lida. Tem que falar!”, diz Oswaldo Rodrigues
Jr.
Também
não custa lembrar que a masturbação pode ser feita durante a relação a dois,
com brinquedos eróticos, inclusive. Pode, ainda, servir como preliminar: você
se masturba sozinho, enquanto o outro olha e se excita.

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