FONTE: Adilson Fônseca, TRIBUNA DA BAHIA.
Na Bahia são 29 áreas consideradas como terras
indígenas.
A feira
livre que acontece todos os sábados no centro de Buerarema, município da Região
Sul da Bahia, a 450 quilômetros de Salvador, nem de longe lembra a pujança, de
três anos atrás, quando, período em quer recrudesceu o conflito entre índios da
Nação Tuipinambá e fazendeiros da região. Com uma área de 47 mil hectares em
disputa, a cidade se esvaziou.
As
informações da Prefeitura de Buerarema dizem que a economia do município encolheu
e os cerca de cinco mil índios que disputam a área, não mais frequentam a
cidade e retiraram até mesmo os filhos das escolas públicas do município. “Eles
vendem seus produtos em Ilhéus e outros municípios e professores e alunos, que
se declararam indígenas, não vêm mais à cidade”, disse a assessora de
Comunicação da Prefeitura, Lane Fonseca.
Em 2014
a cidade chegou a ser ocupada por aproximadamente 500 militares das Forças
Armadas, Polícia Militar e Polícia Federal, depois que os índios expulsaram cerca
de 200 fazendeiros da Agricultura Familiar das terras que reivindicam.
Denúncias de cadastramento falso foram feitas e divulgadas em outdoors
espalhados pela cidade, acirrando os ânimos e provocando uma divisão na
população. A área em disputa envolve 47 mil hectares, a maior parte dos
quais fica em Buerarema, mas também nos municípios de Una e Ilhéus.
Conforme
explicou a Assessoria de Comunicação da Prefeitura, até mesmo nas escolas onde
havia professoras indígenas, estas foram embora, assim como os alunos. “Não há
mais aquele clima de conflito que existia em 2014, mas a situação ainda é tensa
no interior da área delimitada, e apesar de ser aberta, poucas pessoas se
atrevem a circular pelo local”, diz. O maior prejuízo, contudo, é na economia
da cidade. “Afetou tudo. Comércio, escolas, trabalho social e a vida das
pessoas”, finaliza.
Diálogo.
Na Bahia são 29 áreas consideradas como terras indígenas, onde vivem os povos
Pataxó, Pataxo Hã Hã Hãe, Atikum, Kiriri, Pankararé, Pankaru, Tuxá, Kantureré,
Xucuru, Tumbalalá e Tupinambá. São 73 mil hectares de terras delimitadas e que,
em parte, como nos municípios de Ilhéus, Una e Buerarema, estão ocupadas por
pequenos fazendeiros da agricultura familiar.
Conforme
explicou o coordenador Regional da Funai (Fundação Nacional do Índio), sediado
em Itabuna, no Sul da Bahia, Nicolas Melgaço dos Santos, a situação hoje é
diferente do que havia três anos atrás. “Hoje o processo está sob o comando da
Justiça em Ilhéus, e aguarda a homologação do Ministério da Justiça para que as
terras sejam definitivamente ocupadas pelos povos Tupinambás”, disse.
Ainda
conforme o coordenador regional da Funai, “o que existe atualmente são
tensões políticas entre grupos de fazendeiros inconformados com a decisão da
Justiça”. Para ele, as acusações que foram feitas de que a Funai fazia “vista
grossa” para um suposto cadastramento de famílias não indígenas como
pertencentes ao povo Tupinambá, é totalmente inverídico. “A nossa Constituição
garante que a pessoa se auto declare indígena”, assegurou.
Ainda
segundo Nicolas, um Grupo de Trabalho com posto por agentes da Funai, do
Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária ) e da Ceplac
analisam a questão das terras já delimitadas, verificando as benfeitorias
feitas pelos fazendeiros nas suas propriedades que foram tomadas pelos índios,
para cálculo de indenizações.
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