FONTE: Noemi Flores, TRIBUNA DA BAHIA.
Mil pessoas na Bahia estão na fila esperando
um doador para que possam realizar transplante de rim. O equivalente a um
número cinco vezes maior do que o total de cirurgias feitas entre o ano
passado e este semestre.
De acordo com o cirurgião, cada
doação permite que dois pacientes saiam da fila, entretanto a maioria dos
parentes dos possíveis doadores falecidos não autoriza a retirada dos órgãos,
pois só é permitida com esta autorização.
“A população precisa estar
envolvida neste processo. Temos feito um trabalho de conscientização com a
sociedade para a importância da doação de órgãos”, afirmou Moura, acrescentando
que o mal das pessoas é pensar que nunca vão precisar e que as coisas só
ocorrem com os outros. E amanhã ela poderá estar na fila aguardando um órgão.
Podem ser feitos transplantes com doadores vivos ou
falecidos, segundo explicou o especialista.
O vivo tem que ser parente de até 4º grau, esposa ou esposo. Já no caso do
falecido, o rim deve ser compatível, precisa possuir semelhança genética com o
do paciente, por isto muitas pessoas levam de 8 a 10 anos na fila de espera.
Entretanto o cirurgião destaca que
em torno de 50% das pessoas que fazem diálise (consiste na filtragem de sangue
em caso de deficiência dos rins) não podem ser submetidas ao transplante “porque
se tiver outras doenças, a exemplo das cardiovasculares ou diabetes, podem
correr o risco de complicações. Mas se não tiver condições continua com
tratamento de diálise”.
Maior lista é de rim.
A maior lista de espera que se tem
no mundo, no Brasil , na Bahia são as doenças renais, segundo o especialista
que advertiu para as causas da doença. “É originada pelo comportamento
alimentar e falta de exercício físico. Uma pessoa que se alimenta muito
mal fica obeso, hipertenso e com diabetes. Estas doenças são as
precursoras da doença em todas as faixas etárias”, alertou.
O médico disse que em uma fase
precoce, ou seja em crianças, a doença pode aparecer por alteração anatômica ou
por processo de infecção. Já os adultos a hipertensão arterial, a
diabetes e a alimentação inadequada , mas tudo se pode tratar.
Já no caso da doença renal
terminal, o cirurgião aponta somente dois caminhos: tratamento de diálise
ou o transplante de rim. E neste último caso, as filas são grandes, o que faz o
especialista alertar para a prevenção da doença. “As doenças renais são um
problema de saúde pública e uma das grandes preocupações de especialistas e de
todos os governos”, lamentou.
Moura informou que atualmente
são realizados transplantes de rins, em Salvador, nos hospitais Ana Nery,
Português, São Rafael e Espanhol . E no interior na Santa Casa, de Itabuna.
Mas vão ser implantados pelo
Ministério da Saúde, em outras cidades, como: Dom Pedro de Alcântara, em Feira
de Santana e a Santa Casa, de Vitória da Conquista e também há possibilidade de
atendimento no Hospital Regional de Juazeiro. “A previsão é atender mais
adequadamente a população para que não necessite vir para a capital”, afirmou o
cirurgião.
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