sexta-feira, 18 de julho de 2014

MIL PESSOAS NA BAHIA ESPERAM UMA DOAÇÃO PARA O TRANSPLANTE DE RINS...

FONTE: Noemi Flores, TRIBUNA DA BAHIA.
Mil pessoas na Bahia estão na fila esperando um doador para que possam realizar transplante de rim. O equivalente a um número  cinco vezes maior do que o total de cirurgias feitas entre o ano passado e este semestre.

Em 2013 foram submetidos à cirurgia, 123 pacientes e, neste ano, até junho passado, 50 pessoas foram implantadas, segundo informou  o coordenador do Sistema Estadual de Transplantes (Coset), o médico Eraldo Moura.
De acordo com o cirurgião, cada doação permite que dois pacientes saiam da fila, entretanto a maioria dos parentes dos possíveis doadores falecidos não autoriza a retirada dos órgãos, pois só é permitida com esta autorização.
“A população precisa estar envolvida neste processo. Temos feito um trabalho de conscientização com a sociedade para a importância da doação de órgãos”, afirmou Moura, acrescentando que o mal das pessoas é pensar que nunca vão precisar e que as coisas só ocorrem com os outros. E amanhã ela poderá estar na fila aguardando um órgão.
Podem ser feitos transplantes com doadores vivos ou falecidos, segundo explicou o especialista. O vivo tem que ser parente de até 4º grau, esposa ou esposo. Já no caso do falecido, o rim deve ser compatível, precisa possuir semelhança genética com o do paciente, por isto muitas pessoas levam de 8 a 10 anos na fila de espera.

Já o caso do doador que não se enquadra nestes dois casos, ou seja um parente afastado ou um amigo, o médico deixa claro que há um critério rigoroso nos hospitais para este tipo de doação. A maioria dos hospitais não transplanta não-aparentados, somente com uma série de autorizações.
“Para se evitar vínculo financeiro e a possibilidade de qualquer comércio de órgãos, no Brasil, quem não é parente tem que ter autorização da Comissão de Ética do hospital, da Central de Transplantes de Órgãos dos estados e também autorização judicial”, sinalizou.
Entretanto o cirurgião destaca que em torno de 50% das pessoas que fazem diálise (consiste na filtragem de sangue em caso de deficiência dos rins) não podem ser submetidas ao transplante “porque se tiver outras doenças, a exemplo das cardiovasculares ou diabetes, podem correr o risco de complicações. Mas se não tiver condições continua com tratamento de diálise”.
Maior lista  é de rim.
A maior lista de espera que se tem no mundo, no Brasil , na Bahia são as doenças renais, segundo o especialista que advertiu para as causas da doença. “É originada pelo comportamento alimentar  e falta de exercício físico. Uma pessoa que se alimenta muito mal fica obeso, hipertenso  e com diabetes. Estas doenças são as precursoras da doença em todas as faixas etárias”, alertou.
O médico disse que em uma fase precoce, ou seja em crianças, a doença pode aparecer por alteração anatômica ou por processo de infecção. Já os adultos a hipertensão arterial, a diabetes  e a alimentação inadequada , mas tudo se pode tratar.
Já no caso da doença renal terminal, o cirurgião aponta somente dois caminhos: tratamento  de diálise ou o transplante de rim. E neste último caso, as filas são grandes, o que faz o especialista alertar para a prevenção da doença. “As doenças renais são um problema de saúde pública e uma das grandes preocupações de especialistas e de todos os governos”, lamentou.
Moura informou que atualmente são  realizados transplantes de rins, em Salvador, nos hospitais Ana Nery, Português, São Rafael e Espanhol . E no interior na Santa Casa, de Itabuna.

Mas vão ser implantados pelo Ministério da Saúde, em outras cidades, como: Dom Pedro de Alcântara, em Feira de Santana e a Santa Casa, de Vitória da Conquista e também há possibilidade de atendimento no Hospital Regional de Juazeiro. “A previsão é atender mais adequadamente a população para que não necessite vir para a capital”, afirmou o cirurgião.

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