FONTE: Gabriele Galvão, TRIBUNA DA BAHIA.
Andador causa mais acidentes que qualquer outro
produto voltado para bebês entre cinco e 15 meses.
O
andador causa mais acidentes que qualquer outro produto voltado para bebês
entre cinco e 15 meses. O alerta é da Sociedade Baiana de Pediatria
(Sobape), que, inclusive, não recomenda o uso do equipamento.
“Com
ele a criança se movimenta em até um metro por segundo. Sem noção de segurança,
ela pode se bater na parede, algum objeto pode travar a rodinha e tombar o
equipamento”, explicou a pediatra e membro da Sobape Denise Gantois.
Segundo
a médica, com o equipamento a criança pode cair na escada, já que não consegue
enxergar o final do degrau. A médica afirma que a cada três crianças que
usam andador, uma tem traumatismo craniano.
“O
risco não é só da queda, ela pode afogar-se na piscina e se queimar no fogão.
Sair correndo, se bater no eletrodoméstico e a panela quente cair sobre ela,
por exemplo”, esclareceu.
A pediatra
observou ainda que, a criança até um ano e meio de idade não tem a caixa
craniana firme e lesões na cabeça podem ocasionar hemorragias cerebrais e
morte. “Um terço das lesões cranianas são graves”, observou.
Ela
contou que estudos comprovam que, com o uso do andador, a criança demora mais
para caminhar. “Há um atraso no desenvolvimento psicomotor dos pequenos, pois
eles criam aspecto ilusório de dependência do produto para andar”, explanou.
Denise
Gantois ressaltou que o andador é perigoso mesmo com a supervisão de um adulto
e que sua comercialização e uso deveriam serem proibidos no Brasil, assim como
é no Canadá.
“Naquele país, o equipamento é proibido e se alguém for
pego usando paga multa e pode ser preso. Aqui também deveria ter uma legislação
neste sentido, visando diminuir os riscos que nossas crianças correm com um
produto tão perigoso”, afirmou.
Segundo ela, o Imetro já fez testes em várias marcas de andadores, mas nenhuma foi aprovada. “Trata-se de uma briga comercial grande, porém é preciso olhar o bem estar da criança sempre”, afirmou.
A
estudante de Direito Gabriele Araújo informou que adotou o equipamento com sua
filha, Maria Catharina, de 9 meses, porque não sabia dos riscos. “Achei que com
o andador ela andaria mais rápido, porém não me atentei para os riscos dessa
ação.
Vou
encaixotar o produto e preservar a segurança e desenvolvimento da minha filha”,
declarou. Ela disse ainda que já tinha observado que a menina andava de forma
rápida no equipamento, mas não tinha noção da velocidade.
A pediatra
Maria de Lourdes Santiago Costa Leitte também não aprova o produto. “Além
fraturas, a criança fica condicionada a andar com apoio e de forma errada,
podendo ocasionar o encurtamento do tendão da perna e a diminuição do retorno
venoso da musculatura”, explicou. Maria de Lourdes sugere que ao invés de
andador, os pais utilizem colchões e tapetes para que a crianças se exercitem
de forma segura.
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