FONTE: CORREIO DA BAHIA (redacao@correio24horas.com.br).
Olga Regina de
Souza Santiago, do Tribunal de Justiça, é acusada de corrupção.
A
juíza Olga Regina de Souza Santiago, do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) foi
condenada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por envolvimento com o
narcotraficante Gustavo Duran Bautista, líder de um grupo criminoso
especializado na exportação de cocaína da América do Sul para a Europa.
A
juíza era investigada desde 2007 na 'Operação São Francisco', depois que
foram interceptadas conversas telefônicas entre Olga e o companheiro,
Baldoíno Dias Santana, com traficante Bautista. As conversas permitiram
constatar o envolvimento da juíza com o traficante, incluindo recebimento de
valores e troca de favores entre a magistrada e Bautista.
Nesta
terça-feira (8), a juíza foi condenada à pena de aposentadoria compulsória,
punição máxima prevista na Lei Orgânica da Magistratura (Loman). O voto foi
dado pelo conselheiro do CNJ, Norberto Campelo, em processo que tramitava no
órgão desde 2013, e seguido por unanimidade pelos demais membros.
Além
do processo no CNJ, a juíza responde a uma ação penal no tribunal baiano. Ela é
acusada de cometer crimes como corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ainda
de acordo com as investigações, as relações entre Olga, seu companheiro e
Bautista tiveram início em 2001, quando ela inocentou o narcotraficante em uma
ação criminal em que ele foi preso em flagrante por tráfico de drogas durante
uma inspeção realizada pela Polícia Federal após denúncia de trabalho escravo
na Fazenda Mariad, que pertencia ao traficante.
A
retribuição teria acontecido em 2006, quando Gustavo Bautista teria depositado
a quantia de R$ 14.800,00 para a magistrada. Ele não chegou a fazer o pagamento
total, pois foi preso. “Além de todos esses favores, cuidou para que Gustavo
tivesse notícia de tais providências diretamente por ela, passando-lhe as
informações por telefone”, diz o voto do CNJ.
Durante
a sessão, Noberto Campelo explicou que o repasse de valores do traficante para
a juíza eram feitos através de transferências bancárias e envelopes com
dinheiro entregues pessoalmente. Em um dos recebimentos, Gustavo adquiriu uma
casa que pertencia ao filho de Olga, com um valor reajustado. A negociação está
sendo investigada pelo Ministério Público como lavagem de dinheiro.
“Não
se entende como um imóvel adquirido em maio de 2002 por R$ 15 mil, conforme
escritura pública já mencionada, tenha sido vendido em 10 de janeiro de 2006
por R$ 160 mil”, diz o conselheiro. A juíza Olga Regina de Souza Santiago já havia sido afastada de suas atividades desde a
abertura do processo disciplinar no TJBA em 2008. Posteriormente, por motivos de invalidez, ela foi
aposentada, mas, agora, com a decisão do CNJ, poderá ter a revisão do benefício
recebido, com proventos proporcionais ao tempo de serviço.
O
CORREIO não conseguiu contato com a defesa da magistrada.

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