A
fenda palatina - não confuda com fenda labial! - é uma fissura no palato (céu
da boca) que liga o interior da boca à base do nariz. Essa disfunção congênita
acontece durante o desenvolvimento do bebê, ainda na gestação, exige um
acompanhamento a longo prazo e uma série de tratamentos.
“Algumas
síndromes apresentam esse tipo de fissura, mas a fenda pode surgir
isoladamente, como uma má formação. Sua causa geralmente é multifatorial, em
alguns casos é originada por deficiências nutricionais, doenças maternas
durante a gravidez, uso de certos medicamentos e consumo de álcool e tabaco.
Também pode ter causa hereditária”, explica Thereza Christina Lopes Coutinho
(CRORJ 14891), doutora em Odontopediatria pela Faculdade de Odontologia de
Bauru, Universidade de São Paulo, e especialista em Ortodontia e Ortopedia
Facial.
De
acordo com Coutinho, manter bons hábitos e evitar alguns medicamentos podem
ajudar a prevenir esse problema, porém, não há uma atitude específica ou algum
tipo de tratamento que evite a disfunção. É possível identificar o problema
durante a gestação por meio de exames, dependendo da posição do bebê, porém, o
mais comum é que o diagnóstico seja feito no momento do parto.
De
acordo com a especialista, uma das primeiras providências para melhorar a
qualidade de vida e a alimentação dos bebês com o problema é providenciar a
confecção de uma placa de acrílico moldada de acordo com a boca do paciente.
Ela é colocada no céu da boca para cobrir a fenda na hora da alimentação, que
vai sendo substituída conforme o crescimento, para que o alimento não saia pelo
nariz. Mamadeiras especiais também são indicadas.
É
necessário que a criança com fenda palatina seja acompanhada desde cedo por uma
equipe multidisciplinar que inclua otorrinolaringologista, fonoaudiólogo,
dentista, psicólogo e cirurgião plástico, o que garante o tratamento efetivo e
adequado ao desenvolvimento. As intervenções para fechá-la geralmente são
iniciadas por volta dos dois anos de idade - dependendo da severidade de cada
caso são necessárias várias cirurgias para realizar a correção. Em casos mais
graves, em que a fissura atinge todo o céu da boca e os tratamentos são mais
complexos, o acompanhamento médico pode durar mais de 18 anos.
Esse
problema pode afetar a formação dos dentes, ocasionar disfunções como a mordida
cruzada e a ausência ou excesso de dentes em determinada região da boca, além
de trazer complicações nutricionais, respiratórias, psicológicas, sociais e
auditivas (crianças com esse problema estão mais propensas a ter otite). No
Brasil, o Centro de Pesquisa e Reabilitação de Lesões Lábio-Palatais da
Universidade de São Paulo, em Bauru, conhecido como Hospital Centrinho, é
referência no atendimento de pessoas com esse tipo de fenda.


Nenhum comentário:
Postar um comentário