FONTE: *** Jairo Bouer, https://doutorjairo.uol.com.br/
Como é que os usuários
de máscaras têm sido vistos pelos outros, no atual contexto da Covid-19? Um
estudo mostra que algumas características individuais podem gerar reações um
pouco diferentes diante dessa cena que tornou-se tão comum por aí.
A pesquisa partiram de
uma teoria conhecida como “sistema imunocomportamental”: seres humanos não apenas
contam com um sistema biológico que nos protege de doenças, como também
aprenderam certos comportamentos, ao longo da evolução, com a mesma finalidade.
Em outras palavras, as pessoas ficam atentas e tomam certos cuidados ao ver que
alguém está doente ou sangrando.
Costume novo.
Em países orientais, o
hábito de usar máscara para evitar a poluição ou proteger os outros de uma
gripe ou resfriado já está bem arraigado. Já no mundo ocidental, isso não era
comum. Além disso, cobrir o rosto pode ser interpretado como uma tentativa de
esconder a identidade, o que tem uma conotação negativa.
Por tudo isso, é
interessante ver como a pandemia tem influenciado a maneira com que nós,
ocidentais, encaramos as máscaras agora. Para isso, pesquisadores colombianos e
espanhóis recrutaram 1.054 homens e mulheres de vários países de língua
espanhola.
Todos passaram por
testes para que fosse identificada a sensibilidade para o nojo, além de níveis
de ansiedade social ou de confiança em outras pessoas. Depois, foram submetidos
a imagens de estranhos com expressões diversas, com e sem máscaras cirúrgicas,
e tinham que dizer o quanto se sentiriam confortáveis em se envolver com eles
(se aceitariam uma amizade, uma convivência no trabalho ou como vizinhos, por
exemplo).
Nojo, ansiedade ou
confiança.
Os resultados,
publicados em Personality
and Individual Differences, revelam que indivíduos mais sensíveis ao nojo
foram mais propensos a querer manter distância de pessoas mascaradas, talvez
por associá-las à doença. Aqueles com ansiedade social também demonstraram
maior desconfiança em relação aos mascarados, assim como uma tendência maior a
achar que eles estavam doentes.
Já os participantes que
pontuaram bem no teste de confiança social (ou seja, pessoas que por natureza
não ficam ansiosas ou desconfiadas ao interagirem com estranhos) foram menos
propensos a querer distância dos sujeitos de máscara. Eles também não
associaram o uso da proteção com estar doente.
Ao tirar as diferenças
individuais de cena, a pesquisa mostrou que os usuários de máscara
foram classificados como pessoas mais confiáveis, de um modo geral. Por
outro lado, o instinto de manter distância, pela associação com a Covid-19,
também prevaleceu.
Para os autores do trabalho, é possível que os julgamentos que as pessoas fazem sobre doenças sejam mais associativos – ao ver uma máscara, elas logo se lembram do risco de adoecer. Já os julgamentos ligados a confiabilidade social envolvem a reflexão – se a pessoa usa a proteção, ela é responsável e leva as normas sociais a sério.


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