FONTE:
, Eduardo Nunes, https://www.msn.com/
Existe uma teoria
de que o sistema nervoso precisa ser estimulado de diferentes formas. Ou seja,
as funções cognitivas como raciocinar, planejar ou memorizar não se perdem, nem
se enfraquecem com o passar dos anos. Por isso, é preciso treinar o cérebro.
Em
razão dessa comparação com a atividade física que trabalha os músculos em
geral, inclusive o coração, surgiu o termo neuróbica (neurobics, em inglês),
que designa o conjunto de exercícios específicos que ajudam o cérebro a
funcionar melhor e que também podem ser utilizados para retardar o avanço de
doenças que afetam as funções cognitivas, como o mal de Alzheimer. Esse
problema atinge 7% da população mundial a partir dos 60 anos e responde por 50%
das demências ou perdas cognitivas.
É
provável que pessoas, digamos, mais capacitadas para realizar tarefas
complexas, por exemplo, tenham um cérebro com mais sinapses que os
outros. “Há a hipótese de que Einstein tenha feito o que fez não por ter mais
neurônios, mas, sim, porque tinha um cérebro com mais sinapses do que o de uma
pessoa normal”, diz Ivan Okamoto, do Departamento de Neurologia Cognitiva e do
Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia.
Como
exercitar o cérebro.
›
Escove os dentes, penteie o cabelo e escreva seu nome com a mão invertida.
›
Estude e pratique um novo idioma ou aprenda a dançar diferentes ritmos.
›
Execute alguma tarefa com a qual você não esteja acostumado.
› Monte
sempre um novo quebra-cabeça ou cronometre o tempo de execução dessa tarefa,
repetindo a operação outras vezes.
›
Escolha uma frase qualquer de um texto e tente formar novas frases a partir das
mesmas palavras.
›
Ande pela casa com os olhos fechados, imaginando o ambiente ao tocar os
objetos.
›
Coloque o mouse do lado contrário em relação ao que você costuma usar ou o
relógio no outro braço, para que, assim, você execute tarefas simples como
digitar ou checar as horas de uma maneira diferente.
› Vá
ao supermercado sem uma lista e compre aquilo de que precisa recorrendo
ao seu cérebro.
›
Leia um livro ou analise uma foto conhecida de cabeça para baixo.
Alimente
seus neurônios.
Ácidos
graxos do tipo ômega-3, como atestam vários estudos, previnem doenças degenerativas
do sistema nervoso. A recomendação diária desse nutriente, encontrado no
salmão, no atum, na sardinha, em nozes e castanhas, por exemplo, é de 1,6
g. Se você comer 100 g ou uma posta de salmão diariamente (1,4 g de ômega-3),
terá garantido praticamente toda a recomendação diária desse nutriente. “Outros
nutrientes importantes que podem ajudar a retardar o envelhecimento precoce do
cérebro são o ácido fólico, a niacina e o ferro”, diz Tânia Rodrigues,
nutricionista da RG Nutri, consultoria em nutrição de São Paulo.
Carência
de ácido fólico, presente nas folhas verdes e leguminosas (feijão, lentilha e
soja), e de niacina, encontrada em ovos e carnes, pode provocar confusão
mental. Já a falta de ferro causa anemia, que resulta na deficiência de transporte
de oxigênio pelo sangue para todo o corpo, inclusive para o cérebro. E isso
diminui o poder de concentração.
Novos
desafios.
Diante
de uma nova situação, como o aprendizado de uma língua diferente, os neurônios
do seu cérebro precisam se comunicar para que esse desafio seja vencido.
Pegando
a memória como parâmetro, você só consegue resgatar as lembranças de um fato,
como, por exemplo, onde aconteceu o seu primeiro beijo, porque o grupo de
neurônios responsável pelo registro do acontecimento trabalhou direitinho no
seu cérebro. Se você não viveu tal situação ou se as células nervosas não foram
sensibilizadas a ponto de registrá-la por meio de sinapses (eis a explicação
prática do motivo de algo ficar marcado na sua memória), não haveria a
possibilidade de resgatá-la a qualquer momento.
Toda
ação parte de um registro no cérebro, que transmite o estímulo do que fazer
para as células de outras regiões, como as da musculatura do seu braço, que
participam do movimento de arremesso da bola. Esse registro é feito por meio da
repetição do ato. É como percorrer o mesmo caminho algumas vezes até conseguir
seguir por ele quase automaticamente.
Quanto
mais conexões são formadas, mais difícil fica para o cérebro construir outras.
É por isso que ações inusitadas se tornam desafiadoras. Uma criança tem mais
facilidade de aprender um novo idioma porque, ao contrário do adulto, não teve
tempo suficiente para passar por vários tipos de situações capazes de
desenvolver infinitas sinapses.
Quanto
menos relações ou pontes forem estabilizadas entre os neurônios, mais fácil
fica formar outras. “Mas isso não significa que não dá para aprender coisas
novas, independentemente da idade. Como se sabe, aprender outra tarefa, por
mais simples que ela pareça, como executar um novo passo de dança ou uma
receita diferente de algum prato, é algo bastante saudável para o cérebro”, diz
Raul Valiente, neurologista do Serviço de Neurologia Vascular da Unifesp.
Alto-astral
na cabeça.
Ter
pensamentos positivos, sorrir, executar tarefas prazerosas e até mesmo seguir
uma religião são coisas que também podem fazer bem ao cérebro e às funções
cognitivas.
Atitudes
ou condutas que o colocam para cima ou fazem com que você aceite melhor os
dissabores da vida, não se martirizando ou sofrendo como um condenado, costumam
combater o estresse ou algum outro problema que possa provocá-lo, caso
da depressão ou da ansiedade.
“O estresse afeta as sinapses entre as áreas do cérebro
relacionadas a raciocínio, capacidade de atenção e memória. Isso significa que
pessoas estressadas têm mais dificuldade em realizar tarefas que exigem esforço
mental, como fazer um cálculo ou decorar um texto”, diz Raul Valiente.
Se
o estresse se torna crônico ou se não é bem administrado, seu
cérebro não funciona adequadamente, e as atividades cotidianas ficam mais
difíceis de ser realizadas. Portanto, seu sistema nervoso, além do
coração, também agradecerá se você desenvolver mecanismos que combatam os
efeitos nocivos daquela tensão sem fim.

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