FONTE:
, Louise Queiroga, https://extra.globo.com/
Conselhos para grávidas
publicados no site da prefeitura de Seul, capital sul-coreana, provocaram revolta entre internautas, que consideraram
as sugestões como "sexistas e estereotipadas de gênero".
As recomendações, que já
foram excluídas, diziam que as mulheres garantissem cuecas
limpas e refeições prontas para seus maridos, e outros filhos caso fosse o
caso, antes de elas serem hospitalizadas para darem à luz,
visando a não incomodar suas famílias enquanto estiverem fora.
"Durante os três ou
sete dias que deverão ficar hospitalizadas, prepare uma muda de cuecas, meias, camisas, lenços e agasalhos
limpos para o seu marido e filhos e guarde-os ordenadamente em uma gaveta",
dizia o site da prefeitura. "Jogue fora a comida estragada na geladeira
e faça três ou quatro guarnições de que sua família goste.
Se você reservar vários tipos de comida instantânea, como curry, jjajang (molho
de feijão preto) e sopas, seu marido, que é um cozinheiro ruim, será capaz de
fazê-los convenientemente".
O texto afirmava ainda que
era "uma questão de tempo para que a mulher engordasse e, por
isso, não deveria adiar tarefas domésticas, como lavar a louça, porque isso
poderia ajudá-la a controlar o peso durante a gravidez".
Havia ainda orientação para voltar a pendurar no armário
as roupas de tamanho menor ou que costumava usar antes do casamento como
motivação para emagrecer após o nascimento do filho.
A publicação constava
no “Centro de Informações sobre Gravidez e Parto”,
inaugurado em 2019, descrito como sendo “supervisionado” pela Sociedade Coreana
de Obstetrícia e Ginecologia.
A prefeitura de Seul
afirmou ter se baseado em um site administrado pelo Ministério da Saúde e
Bem-Estar da Coreia do Sul, que já havia reconhecido que o conteúdo era
impróprio em 2019. Embora as diretrizes tenham sido publicadas no site de Seul
há um tempo, apenas recentemente as orientações polêmicas
viralizaram na internet, gerando comentários de indignação.
Confira abaixo algumas das
reações de internautas:
"Isso não é marido, é só outra criança para cuidar",
criticou um internauta, num post curtido por 214 outros usuários.
"Homens não têm problemas em fazer isso no exército. Na
verdade, deve até ter quem argumente que eles são melhores que as mulheres
nessas atividades também. Eles apenas escolhem não fazê-las porque são
preguiçosos demais", afirmou outro, referindo-se à obrigatoriedade dos
homens na Coreia do Sul em servirem às forças armadas.
"Eu não consigo
acreditar, tipo, eles estão mesmo vivendo a vida
norte-americana dos anos 1950? Meus pés doíam, minhas
costas doíam, eu ficava cansada o dia todo, nunca estava confortável o
suficiente para dormir, não podia nem dirigir, fazia xixi toda hora, minha
pressão caía aleatoriamente", desabafou uma usuária do Twitter.
"Eles ainda acham que as mulheres casadas são as governantas dos
maridos?", indagou outra pessoa.
"É difícil respirar até no final da gravidez, e
eles estão esperando que preparemos roupas íntimas e comida para nossos
maridos?", escreveu mais uma.

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