FONTE:
, Evelin Azevedo, https://extra.globo.com/
Um menino de 11 anos sofreu um infarto e morreu na cidade de
Luís Correia, litoral do Piauí, na última segunda-feira. Arthur Valentim sofreu
um ataque fulminante em um sítio da família, enquanto brincava com primos.
Cardiologistas afirmam que este tipo de evento é extremamente raro em crianças.
Isso porque os fatores de risco mais comuns para este tipo de problema cardíaco
nos adultos — como tabagismo, colesterol em excesso, hipertensão e diabetes —
não conseguem comprometer a função cardíaca a tempo de causar um infarto ainda
na infância.
De acordo com Bruno Bandeira, médico coordenador de
Comunicação da Socerj e coordenador do setor de cardiologia do Hospital Caxias
D’Or, o infarto em crianças pode estar associado a uma anomalia congênita das
artérias que irrigam o coração; à hipercolesterolemia familiar (uma doença
genética que faz com que o organismo produza muito colesterol, sem ter uma
relação direta com os hábitos de vida e alimentação da criança), que pode
causar o entupimento das artérias; à miocardiopatia hipertrófica (condição
genética que causa o crescimento anormal do músculo do coração); e à
trombofilia, doença que causa uma hipercoagulação do sangue, provocando grandes
coágulos que podem entupir as artérias que irrigam o coração.
— Era um menino muito ativo. Estava com sobrepeso e a
gente estava tentando diminuir, mas ele não tinha problemas de saúde, fazia
muita atividade física — afirma Carlitus Machado, avô do menino Arthur.
Na visão de Bandeira, dificilmente a obesidade pode causar
um infarto na infância.
— Não dá para atribuir o sobrepeso como causa do infarto,
porque o acúmulo de gordura nas artérias se dá ao longo da vida. Estar com
sobrepeso na infância não é um fator de risco para o infarto na infância, mas
sim na vida adulta — complementa o cardiologista.
Mesmo sendo raro em crianças, é importante que os
sintomas de um infarto não sejam subestimados. Os sinais mais comuns são dor ou
pressão sobre o peito; dor ou desconforto nos braços, costas, estômago,
mandíbula ou pescoço; sensação de falta de ar; tontura; sudorese; e náusea.
Histórico na família é fator de risco.
Como as principais causas do enfarte na infância estão
ligados a problemas genéticos, hereditários ou congênitos, é importante que os
pais fiquem atentos se estes tipos de doenças já se manifestaram em outras
pessoas da família.
— Quando existe história na família de doenças cardíacas
precoces, os pais devem começar uma investigação, especialmente se algum
parente morreu antes dos 40 anos — orienta Miguel Morita, cardiologista da
Quanta Diagnóstico por Imagem e professor de Cardiologia da Universidade
Federal do Paraná.
Desmaios enquanto pratica alguma atividade física e
dificuldade de acompanhar o ritmo dos colegas ao brincar podem ser sinais de
problemas cardíacos.
— É preciso sempre relatar tudo ao pediatra, que poderá
pedir exames como o eletrocardiograma — diz a cardiologista Margarete
Henriques.
Dicas para se proteger.
·
Pesquise o histórico familiar para doenças cardíacas. Se houver
casos de parentes que tenham morrido precocemente por conta de um problema no
coração, os pais devem prestar ainda mais atenção na saúde do filho.
·
Os pais devem ficar de olho em situações como desmaios, falta de
ar e cansaço desproporcional durante a realização de uma atividade física por
seu filho. Mesmo que estes eventos tenham acontecido apenas uma vez, eles já
podem indicar que há algum problema.
·
Apresente todo o histórico do seu filho e os sintomas que a
criança esteja apresentam ao pediatra. Este profissional é o mais indicado para
fazer uma primeira avaliação e indicar o pequeno a um cardiopediatra caso seja
necessário.
·
Fique atento aos sintomas de enfartes, pois mesmo que seja raro em
crianças, eles podem acontecer. Não subestime uma dor que seu filho se queixe
de sentir. Leve-o sempre ao médico mais próximo, pois quanto antes ele receber
atendimento, maiores são as chances de sobrevivência.
·
É na infância que começamos hábitos que serão levados por toda a vida.
Ofereça a seu filho um estilo de vida mais saudável, pois isso diminuirá o
risco de enfarte na vida adulta.

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