FONTE:
, Fernando Moreira, https://extra.globo.com/
Um tribunal de Istambul
(Turquia) condenou na segunda-feira (11/1) Adnan Oktar, líder de um culto sexual apocalíptico, a 1.075 anos de
prisão por 10 crimes, entre eles agressão sexual, abuso
sexual de menores, fraude, sequestro, extorsão e tentativa de espionagem
política e militar, informou a emissora privada NTV.
Adnan Oktar, de 64 anos, é o chefe de uma seita
considerada uma organização criminosa pelos promotores. Ele e dezenas de seus
seguidores foram presos em operações simultâneas em 2018.
Enquanto pregava visões conservadoras, Oktar mantinha uma espécie de harém,
cujas integrantes eram chamadas por ele de "gatinhas",
quase todas submetidas a várias cirurgias plásticas. As "gatinhas"
costumavam ser vistas dançando em programas "supostamente religiosos"
apresentados por Oktar na TV online - a A9 - da qual é dono.
Cerca de 236 suspeitos
foram julgados no caso, 78 dos quais estão presos, de acordo com a agência de
notícias oficial Anadolu. Durante o julgamento, Oktar chegou a dizer ao juiz
que comandava o caso que tinha cerca de mil namoradas.
Os favores sexuais do seu "harém" eram estendidos a membros da cúpula
da seita. Pessoas que deixaram o culto afirmaram, na condição de testemunhas,
que Oktar comandava a seita com mão de ferro, chegando a decidir a que cirurgias plásticas as mulheres deveriam se submeter.
"Todas tinham que ser
iguais. O penteado, os sapatos, as jaquetas... Tinha que ser das marcas mais
caras, como Versace e Gucci",
revelou uma delas.
Uma das mulheres no
julgamento de Oktar identificada apenas como CC, disse ao tribunal que o líder
da seita havia abusado sexualmente dela e de
outras mulheres repetidamente. Algumas das mulheres que ele
estuprou foram forçadas a tomar pílulas
anticoncepcionais, CC disse ao tribunal.
Questionado sobre 69 mil pílulas anticoncepcionais
encontradas em sua casa pela polícia, Oktar disse que elas eram usadas para
tratar doenças de pele e irregularidades menstruais.
A teologia de Oktar, que
também usava os nomes de Adnan Hoca e Harun Yahya, prega que a teoria da evolução das espécies é uma farsa e
que o fim do mundo está próximo.
O antropólogo Daniel
Martin Varisco chegou a definir a seita como "uma versão do Islã à moda Disney turbinada pelo sexo".
Em 2010, Oktar chegou a ser eleito um dos 50 muçulmanos mais influentes do
mundo, de acordo com o "Daily Star".
Oktar é tido como muito próximo do presidente
turco, Recep Tayyip Erdogan, sobre quem ele chegou a dizer que "merecia
comandar a Turquia até o fim dos tempos".



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