segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

VIOLÊNCIA ATINGE AO MENOS 75% DE CANDIDATAS A PREFEITA EM CAPITAIS...

FONTE: *** , Salvador, https://www.trbn.com.br/

Ao menos 75% das candidatas disseram à reportagem ter sofrido violência política de gênero.

Delegada há mais de 20 anos, Adriana Accorsi (PT), de 47 anos, nunca teve sua família ameaçada, mesmo trabalhando em investigações sobre pedofilia e tráfico infantil. Mas foi só concorrer à prefeitura de Goiânia, nas eleições do ano passado, que um perfil anônimo sugeriu a morte de suas filhas – uma de dois e outra de 26 anos: “Já comprou o caixão da Verônica e da Helena?”, diz a mensagem.

“Já fui muito hostilizada. Diziam que eu não daria conta, duvidaram da minha capacidade. Mas jamais os ataques chegaram ao nível do ano passado. Foi o pior”, disse a delegada. Levantamento feito pelo Estadão mostra que Adriana não é exceção entre mulheres que concorreram a prefeituras nas capitais do País. Ao menos 75% delas disseram à reportagem ter sofrido violência política de gênero.

A pesquisa foi enviada a todas as 58 mulheres que concorreram aos Executivos municipais das capitais no ano passado. Destas, 50 responderam. Entre elas, 44 relataram violência. A maior parte (46,7%) disse sofrer ataques com frequência e (72,3%) acredita que os episódios prejudicaram a campanha.

“Os ataques são voltados ao corpo da mulher ou relacionados a estereótipos de gêneros, tal como questionamento a papéis sociais tradicionais ou outros meios com objetivo de negar sua competência na esfera política”, disse Tássia Rabelo, doutora em ciência política e professora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Uma das candidatas relatou ao Estadão, sob anonimato, ter recebido oferta de R$ 10 mil para retirar a sua candidatura, já que, segundo o autor, ela era “nova e mulher”. Enquanto uma ouviu durante um debate que “mesmo sendo mulher, era boa candidata”, outra escutou, de um jornalista, que não servia para ser prefeita, pois era “mulher, feia e sem alma”.

Menções a maridos e ex-namorados se repetem nas histórias contadas à reportagem. “Perguntaram se meu companheiro estava de acordo com minha candidatura”, disse uma delas. Outra afirmou ter sido alvo de campanha difamatória e de desinformação, com postagens insinuando um relacionamento com um ex-chefe. O uso de elementos de conotação sexual é recorrente. “Não voto para prefeita, te queria na minha cama”, ouviu a deputada Marina Helou (Rede) durante ato de campanha na Avenida Paulista.

No Brasil, o debate sobre violência política de gênero começou a caminhar recentemente. O próprio termo tornou-se mais conhecido no pleito deste ano, com casos de ameaça e agressão contra eleitas. “Começamos a nos aproximar de uma realidade que as mulheres sempre experimentaram na política e que agora estamos desnaturalizando“, diz Roberta Eugênio, pesquisadora associada do Instituto Alziras.

*** Fonte: Estadão Conteúdo

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