FONTE: Giovanna Tavares - iG São Paulo, TRIBUNA DA BAHIA.
Quando mal colocadas, durante uma discussão ou
em um momento de raiva, as palavras têm um grande poder de destruição e
recuperar o dano causado por elas pode ser uma tarefa desgastante para o casal.
Indiretas, cobranças e xingamentos não
resolvem o verdadeiro problema e tornam a relação mais complicada do que
realmente é.
Mesmo assim, essas frases, que muitas vezes
soam injustas e agressivas, podem apontar para um problema que merece mais
atenção da parte do casal.
Ignorá-las não é o caminho, ao contrário. É
preciso encontrar outras formas de expor o descontentamento, com menos pedras
na mão e mais disposição para ouvir o outro lado.
“O melhor jeito de resolver uma situação
difícil é com objetividade, assertividade e afetuosidade, na hora em que tudo
estiver mais calmo e o diálogo acontecer, sem ser no calor do momento, quando a
emoção fala mais alto”, ressalta Suely Buriasco, especialista em mediação de
conflitos.
Outra dica importante é se esforçar para
atacar o problema, e não o parceiro. “Frases com rótulos, por exemplos, são
ruins porque você acaba criticando a pessoa, e não o problema, que é a causa do
descontentamento. Você tem de falar do fato. Ou a pessoa que se sente atacada
não tem motivação para mudar”, explica Marcia Luz, psicóloga e escritora.
Veja frases perigosas para o relacionamento e
como expor a mesma coisa de outras formas:
“Depois de tudo o que fiz
por você”.
Em vez de demonstrar descontentamento, a frase
soa como uma cobrança tardia. O resultado é que o outro acaba se sentido
humilhado e culpado, ou seja, o problema se torna ainda maior.
O ideal é tentar abordar essa insatisfação de
um jeito mais aberto, dizendo algo como “não tenho me sentido reconhecido e
valorizado por você nos últimos tempos”.
“Acho melhor a gente se
separar”.
De acordo com a especialista Suely Buriasco,
essa frase está se tornando comum em brigas e discussões de casais.
“As pessoas veem a separação com
certa facilidade, como se
não fosse nada demais, e soltam isso no meio de uma conversa, para tentar
assustar ou fazer o outro lado recuar”, afirma.
Nesse caso, terminar o relacionamento deve ser
a última hipótese, quando todas as alternativas do diálogo forem esgotadas.
“Você nunca faz o que eu
quero”.
Frases generalizadoras são muito utilizadas na
hora da briga. “A generalização é muito perigosa, porque expõe a realidade. O
grande risco é que você joga fora todas as coisas boas que a pessoa já fez por
você. Se fosse uma afirmação realmente verdadeira, por que ainda estariam
juntos?”, questiona Marcia Luz.
O mais indicado é esperar a poeira baixar e
analisar quantas vezes o parceiro realmente foi ausente ou ignorou algum desejo
ou sentimento, para comentar essas situações pontuais. Do contrário, o outro lado
pode se sentir pouco reconhecido e até injustiçado.
“Coloque-se no seu lugar”.
Mesmo que a individualidade de cada um deva
ser preservada, um relacionamento é construído a dois. Por isso, é importante
estimular a participação do parceiro em decisões e outras iniciativas.
Vale lembrar que é fundamental estabelecer um
diálogo e explicar que, embora a opinião do outro seja importante, algumas
decisões são tomadas individualmente. Afeto é o segredo para evitar esse
conflito de ideias.
“Você sempre deixa tudo
para mim”.
Essa é mais uma frase que generaliza a
insatisfação. O grande problema é que, demonstrando o sentimento dessa maneira,
a ideia passada é de cobrança – o outro lado acaba se sentindo no direito de se
defender e cobrar outras coisas.
O casal deve baixar as armas e tentar
recuperar a comunicação, discutindo com objetividade e carinho.
“Você é igual a seu pai/sua
mãe”.
Colocar a família do cônjuge no meio de uma
briga nunca é uma decisão muito sábia, principalmente se a afirmação soar
ofensiva.
“É complicado, pois você envolve pessoas que
são importantes para o outro e piora o conflito. O melhor é respirar e evitar
qualquer afirmação nesse sentido, já que ela não agrega nada”, diz Marcia Luz.
O melhor é apontar o problema ou comportamento
inadequado em questão, sem fazer comparações com outras pessoas.
“Você é chato (a)”.
Adjetivos depreciativos devem ficar
de fora de qualquer discussão, ponto final. Além de serem palavras
desnecessárias, que não ajudam a construir uma relação
melhor, elas são capazes de magoar o parceiro, talvez de um jeito irreversível.
Em vez de rotular e taxar, no calor da briga,
o melhor é esperar e depois apontar em que momento a pessoa foi desagradável,
com paciência e com o coração aberto.
“Você precisa emagrecer”.
Mesmo que exista a preocupação com a saúde do
parceiro, essa é uma frase que derruba a autoestima de qualquer um, já que se
sentir desejado pelo outro é um dos maiores estímulos de uma relação saudável e
feliz.
O que sustenta o amor e o
relacionamento são as qualidades
positivas, por que não ressaltá-las, em vez de olhar apenas os defeitos?
“Elogiar o ser humano faz brotar o que há de melhor nele, nada funcionará bem
se você tentar diminuí-lo”, afirma Suely Buriasco.
“Não confio em você”.
Essa frase pode revelar um receio em relação
às intenções do parceiro, mas não é completamente verdadeira. Quem realmente
não se sente confortável com o outro, opta por terminar a relação, sem precisar
demonstrar desconfiança a cada discussão.
Se existe a vontade de reconstruir o
relacionamento após uma traição, o casal precisa encontrar uma maneira de
renovar os votos e começar do zero, apostando na confiança. Do contrário, o
parceiro pode se sentir desmotivado a “consertar” as coisas.
“Meus outros
relacionamentos não eram assim”.
Humilhar o outro, comparando-o a antigos
namorados ou parceiros, também não é uma boa saída para resolver conflitos.
“É importante aprender a respeitar a pessoa
com quem você está, inclusive os pontos de vista que nem sempre são os mesmos.
Qualquer relação é uma construção baseada no respeito mútuo”, acredita Suely
Buriasco.
Do mesmo jeito que os relacionamentos
anteriores tinham pontos positivos, eles também tinham os negativos – e, se
precisou acabar, é porque não estavam no caminho certo.
“Se eu não te
sustentasse...”
Frase errada por si só. Quando duas pessoas
resolvem ficar juntas e dividir as contas, uma espécie de acordo é
estabelecido: os dois podem trabalhar ou apenas um dos lados, enquanto o outro
se responsabiliza pelas tarefas domésticas, homem ou mulher.
Ver-se como o “responsável” pelo sustento do
outro é inferiorizá-lo e criar um grande problema na relação. Nesse caso, é
melhor adotar uma postura menos egoísta e sugerir um outro acordo, mas sem
grosserias.

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