Quando
falamos de sono falamos sobre quantidade, qualidade e ritmo. Se os três pontos
não estiverem alinhados, o que se tem é uma alteração de todo o funcionamento
do corpo. No longo prazo, quanto menos tempo e qualidade de sono, maior é o
risco de diabetes, doenças cardiovasculares e alteração do sistema imunológico.
Os
principais problemas que os brasileiros enfrentam em relação ao sono são a
insônia, que é a dificuldade para iniciá-lo ou mantê-lo, e a apneia, uma
fraqueza dos músculos da faringe, que ao deixar a língua bamba, provoca ronco e
deixa o sono superficial, e, por fim, o descanso reduzido.
Luciano
Ribeiro, médico especialista em neurologia do sono, comenta outros dois
problemas, estes de causa social. Um deles é a redução da quantidade de sono,
consequência do tempo que se gasta para chegar ao trabalho. "É muito comum
que uma pessoa acorde às 4h da manhã e chegue às 10h no trabalho. O cochilo que
ela tira no ônibus não tem a mesma qualidade do sono que teria em casa",
avalia Ribeiro. O outro ponto que ele menciona é a perda de sono no exato
momento em que se deita na cama, situação que foi tema de um estudo da
Universidade de Pensilvânia, publicado pela revista Times.
"A
cama deixou de ter o condicionamento de sono, de descanso. As pessoas têm
levado para lá notebooks e smartphones, como se ali fosse ambiente de
trabalho". O estudo da Universidade da Pensilvânia concluiu que o cérebro
entende o que é local de atividade e um ambiente de repouso, e já associa a
cama a um local onde se trabalha ou tem muita atividade mental. "Antes a
recomendação médica era tirar a televisão do quarto. Agora aconselhamos que não
se leve nenhuma tecnologia para lá", atualiza Ribeiro.
"Quando
um indivíduo dorme pouco, o relógio de cada órgão começa a funcionar em um
horário que não é dele, e isso desorganiza todo o sistema", explica
Ribeiro. "No futuro teremos ainda mais problemas devido a essa situação de
privação de sono que vivemos".
Deus
ajuda quem cedo madruga? Não é bem assim. Se você vive durante o dia e dorme ao longo da noite, seu
corpo segue o ritmo circadiano, que trabalha sob a luz e repousa quando é
noite. Agora, se seu sono só vem às 5h da manhã, junto aos primeiros raios de
sol, seu ritmo é diferente. É uma questão genética, e pode ser adaptada.
Ribeiro,
presidente da Associação Brasileira do Sono, recomenda terapia comportamental
para os que sofrem de insônia. "Uma das principais causas é a ansiedade e
extrema atividade mental". O indivíduo precisa procurar um médico para se
organizar e voltar a conseguir dormir. Já os que sofrem de apneia, precisam ser
avisados que roncam - já que dormem e não escutam. Os médicos disponíveis para
tratar essas questão são neurologistas, otorrinolaringolostias, psiquiatras,
clínicos gerais e os profissionais da medicina do sono.
Higiene
do sono. Para
reduzir o risco de alterações importantes no corpo, o médico recomenda um
conjunto de atitudes adequadas como meditação, horário de ir para cama e
horário de dormir. À noite, é melhor evitar comidas pesadas que dificultem a
digestão, atividades físicas que despertem e o consumo de álcool, que deixa o
sono superficial e intermitente.
"As
pessoas precisam reconhecer o ritmo que seus corpos têm e o quanto precisam
dormir. É importante estar atento e tentar adaptar a rotina de trabalho às
necessidades do corpo". Ribeiro recomenda também que o indivíduo saiba
quanto tempo precisa dormir para acordar bem, passar o dia bem e dormir bem.

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