FONTE: Filipe Oliveira,
, Salvador, https://www.trbn.com.br/
De acordo com dados
da Abeme, o setor registrou, entre março e maio, um aumento de 12% nas vendas
de produtos e brinquedos eróticos.
A pandemia da Covid-19, que obrigou os brasileiros a
praticarem o distanciamento social a partir de março de 2020, trouxe também
outras mudanças no comportamento da população em geral. Com a quarentena, as
pessoas passaram a ficar mais tempo em casa, muitas vezes sozinhas e sem
contato sexual com seus parceiros ou parceiras. De acordo com dados da
Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico (Abeme), divulgados pelo
portal MercadoErótico.org, o setor registrou, entre março e maio, um aumento de
12% nas vendas de produtos e brinquedos eróticos.
Ainda segundo a Abeme, os vibradores foram os mais
procurados e registraram um aumento de 50% nas vendas, chegando a faltar
estoque nos sex shops do país. Em cerca de três meses, cerca de 1 milhão de
unidades foram vendidas no Brasil. No último ano, o setor faturou R$2 bilhões.
As vendas através de aplicativos de mensagens instantâneas e mídias sociais
foram responsáveis por 90% das compras de produtos eróticos. O setor demonstra
um diferencial num momento de crise e em que outros setores importantes da
economia mostraram quedas em seus rendimentos.
A especialista em Sexologia Clínica, Cláudia Meireles,
comenta que a busca por brinquedos eróticos contribui tanto para a satisfação
sexual como para o autoconhecimento. “Recorrer aos produtos eróticos foi uma
atitude criativa para tornar a relação do casal mais divertida, ativar a
fantasia e diminuir o distanciamento, visto que hoje existem produtos que o
casal pode controlar remotamente criando um clima de proximidade, ainda que a
quilômetros de distância. Falo em casais, mas a pessoa pode recorrer aos
brinquedos eróticos para autoconhecimento e obtenção de prazer sexual
individual, no processo masturbatório”.
Luciana Silva, vendedora em um sex shop no bairro de
Nazaré, em Salvador, conta que as vendas tiveram um crescimento no início de
2020 em comparação com o mesmo período de 2019. “Vendemos de 30% a 40% a mais e
nossa estimativa é que continue ou melhore em 2021. A maioria das nossas
clientes são mulheres casadas e elas estão descobrindo novos produtos. Hoje, os
clientes gastam, em média, R$200 em compras”. De acordo com a vendedora, os
vibradores e sugadores de clitóris - nova tendência nos últimos meses - são os
itens mais procurados na loja.
Uma loja de Salvador que faz vendas online, por site e
Whatsapp também teve crescimento nas vendas. A vendedora Joice Alves, estima
que o crescimento a partir de maio foi em torno de 40%. “Como a gente não tem
loja física, só trabalhamos com entrega. Isso facilitou bastante, o cliente
escolhe o produto, faz a compra e recebe em casa”. A vendedora espera
crescimento para 2021, mas receia os preços com a alta do dólar. “Vários
fatores influenciam no crescimento das vendas. Alguns fornecedores ainda estão
sem os produtos e a alta do dólar deixa tudo mais caro para nós revendedores.
Ainda assim, acreditamos que vamos manter o percentual ou aumentar”, comenta.
Alves observa que, na tentativa de apimentar a relação ou
de garantir o prazer no isolamento, os clientes têm os seus produtos favoritos.
“Lubrificantes, géis comestíveis, próteses ou manequins penianos e vibradores,
em geral. Entre esses, os lubrificantes e comestíveis são os mais pedidos aqui
na loja”. O gasto médio dos clientes do sex shop com os pedidos online é de
R$50. “Alguns clientes gastam muito mais. A maioria compra a primeira vez para
uma data especial e depois acabam voltando para experimentar outros produtos”,
conclui.

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