domingo, 10 de janeiro de 2021

VENDA DE PRODUTOS ERÓTICOS EM ALTA NA PANDEMIA...

FONTE: Filipe Oliveira, , Salvador, https://www.trbn.com.br/

De acordo com dados da Abeme, o setor registrou, entre março e maio, um aumento de 12% nas vendas de produtos e brinquedos eróticos.

A pandemia da Covid-19, que obrigou os brasileiros a praticarem o distanciamento social a partir de março de 2020, trouxe também outras mudanças no comportamento da população em geral. Com a quarentena, as pessoas passaram a ficar mais tempo em casa, muitas vezes sozinhas e sem contato sexual com seus parceiros ou parceiras. De acordo com dados da Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico (Abeme), divulgados pelo portal MercadoErótico.org, o setor registrou, entre março e maio, um aumento de 12% nas vendas de produtos e brinquedos eróticos.

Ainda segundo a Abeme, os vibradores foram os mais procurados e registraram um aumento de 50% nas vendas, chegando a faltar estoque nos sex shops do país. Em cerca de três meses, cerca de 1 milhão de unidades foram vendidas no Brasil. No último ano, o setor faturou R$2 bilhões. As vendas através de aplicativos de mensagens instantâneas e mídias sociais foram responsáveis por 90% das compras de produtos eróticos. O setor demonstra um diferencial num momento de crise e em que outros setores importantes da economia mostraram quedas em seus rendimentos.

A especialista em Sexologia Clínica, Cláudia Meireles, comenta que a busca por brinquedos eróticos contribui tanto para a satisfação sexual como para o autoconhecimento. “Recorrer aos produtos eróticos foi uma atitude criativa para tornar a relação do casal mais divertida, ativar a fantasia e diminuir o distanciamento, visto que hoje existem produtos que o casal pode controlar remotamente criando um clima de proximidade, ainda que a quilômetros de distância. Falo em casais, mas a pessoa pode recorrer aos brinquedos eróticos para autoconhecimento e obtenção de prazer sexual individual, no processo masturbatório”.

Luciana Silva, vendedora em um sex shop no bairro de Nazaré, em Salvador, conta que as vendas tiveram um crescimento no início de 2020 em comparação com o mesmo período de 2019. “Vendemos de 30% a 40% a mais e nossa estimativa é que continue ou melhore em 2021. A maioria das nossas clientes são mulheres casadas e elas estão descobrindo novos produtos. Hoje, os clientes gastam, em média, R$200 em compras”. De acordo com a vendedora, os vibradores e sugadores de clitóris - nova tendência nos últimos meses - são os itens mais procurados na loja.

Uma loja de Salvador que faz vendas online, por site e Whatsapp também teve crescimento nas vendas. A vendedora Joice Alves, estima que o crescimento a partir de maio foi em torno de 40%. “Como a gente não tem loja física, só trabalhamos com entrega. Isso facilitou bastante, o cliente escolhe o produto, faz a compra e recebe em casa”. A vendedora espera crescimento para 2021, mas receia os preços com a alta do dólar. “Vários fatores influenciam no crescimento das vendas. Alguns fornecedores ainda estão sem os produtos e a alta do dólar deixa tudo mais caro para nós revendedores. Ainda assim, acreditamos que vamos manter o percentual ou aumentar”, comenta.

Alves observa que, na tentativa de apimentar a relação ou de garantir o prazer no isolamento, os clientes têm os seus produtos favoritos. “Lubrificantes, géis comestíveis, próteses ou manequins penianos e vibradores, em geral. Entre esses, os lubrificantes e comestíveis são os mais pedidos aqui na loja”. O gasto médio dos clientes do sex shop com os pedidos online é de R$50. “Alguns clientes gastam muito mais. A maioria compra a primeira vez para uma data especial e depois acabam voltando para experimentar outros produtos”, conclui. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário