FONTE: Fausto Fagioli Fonseca (o2porminuto.uol.com.br).
Em algum momento da sua vida de corredor você já deve ter sentido um certo desconforto ou dor muscular em alguma parte de seu corpo após a prática da atividade física. Essas dores, que normalmente surgem por causa das micro-lesões musculares decorrentes da prática do esporte em um nível superior ao que o atleta pode suportar, são comuns, e merecem atenção.“O desconforto no dia seguinte, que nem sempre é exatamente no dia seguinte ou mesmo a dor, são sistemas de proteção para que o indivíduo não execute atividade, pelo menos naqueles grupos musculares envolvidos, até que ele seja reparado. Sempre que fazemos uma atividade de nível moderado à forte haverá, consequentemente, um processo inflamatório no setor envolvido”, explica Paulo Correia, mestre em fisiologia do exercício pela UNIFESP e ex-atleta olímpico.Nem todas as dores, porém, são “comuns”. Algumas são decorrentes de lesões mais sérias, que devem ser tratadas. Para saber reconhecer a diferença entre uma contusão que pode lhe trazer um risco maior e uma dor que faz parte do treino, o fisiologista do exercício Cláudio Pavanelli, do Núcleo de Desenvolvimento da Performance Humana, dá a dica.“A dor referente à lesão normalmente é em um ponto específico do músculo, e fácil de identificar e apontar. Essa dor não passa em um ou dois dias. Já a dor referente à atividade física acima da capacidade do praticante, aparece no músculo como um todo, e em algumas horas diminui, desaparecendo em cerca de um dia”, fala.
COMO LIVRAR-SE DELAS?
“A forma de minimizar estas sensações é através de um treinamento adequado”, enfatiza Pavanelli. Treinamento adequado é aquele em que o atleta conhece seu corpo e respeita seu limite físico durante as passadas. “O corredor deve adequar a carga de treinamento (intensidade e volume) e a carga que o seu sistema muscular, articulações e ossos suportam”, finaliza.Mas e se, mesmo assim, os incômodos persistirem? Aí é hora de experimentar algumas sugestões dos fisiologistas. “Uma massagem suave pode ajudar pelo fato da circulação ser acelerada nas regiões envolvidas, mas os resultados são baixos. Outra forma seria a massagem com gelo. Esta sim tem confirmação científica e mostra bons resultados quanto à dor”, diz Correia.A utilização de gelo para minimizar dores, também chamada de crioterapia, é utilizada há muito tempo por atletas de várias áreas. Porém, apesar de ajudar a diminuir as dores, ela não serve para a recuperação da lesão, como explica Cláudio Pavanelli.“A utilização de (gelo) está sendo muito utilizada, às vezes de forma incorreta. É uma forma muito potente e indicada para diminuir a sensação de dor devido seu alto poder analgésico e antiinflamatório, isso quer dizer, minimiza a sensação de dor, mas não faz a recuperação (principalmente metabólica) da estrutura muscular. A orientação para o objetivo analgésico e antiinflamatório deve ser feita por um profissional qualificado, principalmente em questão do tempo de exposição e frequência”, completa.
Para mais informações sobre a utilização da crioterapia clique aqui.
ANTIINFLAMTÓRIOS.
Para se livrar da dor, muitos atletas buscam nos antiinflamatórios a solução definitiva após os treinos e provas. Porém, o uso de medicamentos sem prescrição médica pode acarretar problemas mais sérios, além de não ter uma recuperação adequada.“Além de impedir o processo de recuperação, haverá uma falsa sensação de recuperação e um mascaramento de uma de uma possível contusão (caso seja usado o antiinflamatório sem orientação), levando o indivíduo ao risco de agravar o problema”, conclui Correia.
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