quinta-feira, 20 de agosto de 2009

20 ANOS SEM O MALUCO BELEZA...


FONTE: NOEMI FLORES (TRIBUNA DA BAHIA).

Vinte anos sem Raul Seixas, o “Maluco Beleza”, um mito da música brasileira, imortalizado em livros, documentários, no teatro e na presença constante de covers em shows e eventos e de fãs que visitam com frequência seu túmulo no Cemitério Jardim da Saudade, em Salvador. E uma notícia boa para todos os fãs, segundo o irmão do cantor, o engenheiro Plínio Seixas, um importante documentário que está sendo gravado agora sobre Raul, pelo produtor Marco Mazzola, deve ser lançado até o final do ano com músicas inéditas do cantor, inclusive uma chamada Gospel que foi censurada na novela da rede Globo, “Rebu”.
Não existe idade, sexo, raça nem tampouco ideologias para se rotular quem é fã, ou melhor raulseixista, do cantor que ficou praticamente três anos de sua vida sem se apresentar em shows nem gravar discos, devido a problemas de alcoolismo atrelada à doença, diabetes, e também por preconceito da mídia em geral que não o convidava mais para se apresentar.
Mas foi Marcelo Nova (ex-Camisa de Vênus), amigo verdadeiro que não o deixou de maneira nenhuma encerrar a carreira. A dupla se tornou inseparável e no ano da morte do cantor, 1989, faz uma turnê pelo Brasil com apresentações em mais de 50 shows. A última obra do ídolo, junto com Marcelo Nova, foi o lançamento de A Panela do Diabo, uma obra-prima da música nacional, com direito a disco de ouro, mas Raul não chega a ver o resultado porque dois dias depois ele morre.
O cantor de rock e jornalista Hélio Rocha recorda a primeira entrevista que fez foi com o ídolo Raulzito, um ano antes de sua morte, em 1988, e diz que até hoje sente aquela sensação de que deveria ter conversado mais com o cantor “um cara especial com visão própria, muito ampla sobre as coisas, que sofreu muito. Tem muita gente que fatura com o legado de Raul, mas deu as costas a ele no momento que mais sofreu na vida”.
Rocha lamenta como Seixas demorou para ser conhecido pelo talento, inclusive aqui na Bahia não teve a projeção que merecia, na época, que iniciou. “Naquela época era assim, se não passasse pelo Sul do País não tinha sucesso, como no caso a sua banda “Os Panteras”. Lá no Rio de Janeiro, trabalhando como produtor musical , ele conseguiu escrever músicas para vários cantores, dentre estes Jerry Adriani, até se escrever no Festival da Canção”, afirmou.
Para o jornalista, que na época participava da banda 14º Andar, foi gratificante seu encontro com o músico, em 1988, porque também teve participação no documentário, dirigido por Rosana Almeida, que nem chegou a sair, mas ainda existem as fitas deste trabalho.“Ele estava já com a aparência muito frágil e me falou que as coisas dele era sair, se ele estivesse num lugar, sempre queria sair e nunca chegar onde queria ir”, concluiu.
O ator Nelito Reis viveu Raul Seixas na peça vencedora de melhor texto do Prêmio Braskem de Teatro “A Metamorfose Ambulante”, em forma de musical, o espetáculo teve o propósito de homenagear o cantor - que completou em 2005, 60 anos de nascimento e 15 de morte - por sua contribuição ao rock brasileiro. O texto do espetáculo foi uma parceria entre Deolindo Checcucci, que também assina a direção da peça, e do irmão do cantor, Plínio Seixas.
Para Nelito (por e-mail) interpretar Raul no teatro foi “um momento de grande felicidade por tantos motivos. Pessoalmente, por voltar a um tempo em que Raul era um ídolo muito presente em meu dia-a-dia, eu o escutava muito, enchia o caderno de colégio com suas frases, pintava seu rosto nas camisas. Com a estreia da peça e o retorno do público eu percebi a grandiosidade daquele momento, o que Raul representa para as pessoas. Também pelos amigos que fiz: Plínio, Silvana, Deolindo, Edvard e tantos outros. Agradeço a Deus ter merecido a oportunidade de ter sido veículo para aquela lembrança de Raul.”
Na época, o ator foi muito elogiado pela crítica, pois assumiu a performance do “Maluco Beleza”, de forma fiel, deixando os fãs satisfeitos com o seu trabalho. Sobre esta oportunidade, ele agradece à direção, “muito profissionalmente eu pude trabalhar com Deolindo, um dos principais nomes do teatro na Bahia. Pude mostrar meu trabalho para um público maior, mesmo aqui no Rio, onde moro atualmente, ecoa a repercussão desse trabalho, embora não tenha saído do Estado da Bahia”, explicou.
A esperança do ator é que o trabalho seja levado ao sul do país, “ para se ter uma ideia, em maio último estive em São Paulo, em evento promovido pelo Raul Rock Club em homenagem a Raulzito, e várias pessoas me abordaram parabenizando pelo trabalho e pedindo que seja levado para aquela cidade, pessoas que assistiram em Salvador. Tenho certeza absoluta que esse trabalho está guardado em lugar especial em cada um dos atores do elenco, dos técnicos, enfim, toda a equipe e na grande maioria das pessoas que o assistiram. Valeu, Raul! Toca Raul!”, concluiu Reis.

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