quarta-feira, 18 de maio de 2016

IDADE AVANÇADA DA MULHER REDUZ CHANCES DE GRAVIDEZ...

FONTE: Nelson Rocha, TRIBUNA DA BAHIA.

Nas décadas de 60 e 70 do século passado, a maior parte das mulheres no Brasil engravidava entre os 15 e 20 anos.

Nas décadas de 60 e 70 do século passado, a maior parte das mulheres no Brasil engravidava entre os 15 e 20 anos. Com a emancipação feminina, a igualdade de direitos, conquista de espaço no mercado de trabalho e o advento da pílula contraceptiva, a gravidez passou a ser adiada e a ocorrer depois dos 25 anos. Atualmente, com o conhecimento de que as causas de infertilidade são iguais entre o homem e a mulher, a maioria delas de classe média tende a engravidar mais tarde, geralmente depois dos 30, 35 anos e até aos 40 anos. “Isso dificulta por que ela já nasce com o número de óvulos pré-determinado. Quando a mulher está na barriga da sua mãe, no sexto mês já sabe o número de óvulos que vai ter ao longo de sua vida”, afirma a doutora obstetra Genevieve Coelho, especialista em fertilidade.
Conforme a médica, o número de óvulos vai acabando com o passar dos anos. “É como uma poupança: cada mês ela vai tirando dinheiro, vai sacando, sacando, sacando e quando chega aos 50 anos já era e ela perde a capacidade reprodutiva. A menopausa é isto, a ausência de óvulos. A partir dos 40 a mulher já perde a capacidade até de engravidar. Ela continua até menstruando, ovulando, mas aquele óvulo já é velho, apesar de uma mulher nesta idade não ser velha, o óvulo é e o DNA já está muito danificado”, explica, acrescentando que a partir dos 40 anos aumenta o risco da gravidez resultar em filho (a) com Síndrome de Down, doença genética em que a pessoa tem 47 cromossomos em vez dos 46 normais. “O corpo não vai envelhecendo, o rosto, a pele, então o óvulo, que é uma célula que carrega o nosso patrimônio genético, esse é mais vulnerável ainda ao processo do envelhecimento”, diz.
Na clínica IVI de reprodução humana da doutora Genevieve Coelho, localizada na Av. Paulo VI, bairro da Pituba, as mulheres na faixa etária dos 38 anos são as que mais procuram a unidade para consultas e tratamentos. Hoje, de maneira genérica, os especialistas apontam que as causas da infertilidade apresentam um curioso equilíbrio: 40% por fatores femininos, o mesmo percentual devido a fatores masculinos e 20% por fatores da mulher e do homem associados. Um estudo realizado no início da década apontou que se depois de seis meses de relações sexuais não ocorrer à gravidez, o casal que quer ter filho deve procurar um especialista em reprodução para investigar causas e buscar soluções para o problema.
 Nas mulheres jovens pode ser a endometriose – presença do endométrio (tecido interno do útero que o prepara para receber a gestação) fora da cavidade uterina, o fator provocador da infertilidade. Todo mês, quando a gestação não ocorre, parte do endométrio descarna, dando origem à menstruação.  Alteração na ovulação, das trompas, deficiência no transporte do óvulo fecundado, dificuldade de fertilização do óvulo e dificuldade de aderência do óvulo fecundado podem estar na origem dos problemas.   “A endometriose ocorre muito na população brasileira, principalmente na raça negra.
É uma inflamação que acaba distorcendo o ovário, obstruindo a trompa, o que pode levar à infertilidade numa mulher jovem. Também tem as infecções pélvicas, as doenças sexualmente transmissíveis, e no Brasil temos  incidência alta entre a população jovem, que também inflama a trompa”, pontua a médica.

Fatores que podem causar esterilidade.
Entre os homens, a causa mais comum de infertilidade é a baixa produção de espermatozóides. Motoristas de caminhão, cozinheiros, metalúrgicos, profissões que expõem os homens a temperatura mais altas na altura do quadril pode comprometer a qualidade do esperma, assim como o consumo de antidepressivos, remédio para a calvície e o excesso de álcool.
“Portanto, às vezes o problema não é da mulher, mas do homem. Então infertilidade nunca é de uma pessoa, mas do casal também. Tem uma tendência um pouco maior naquela mulher que atrasa a gravidez, deixa pra engravidar depois dos 35 anos, problema que ocorre também no homem. Hoje em dia nós sabemos que o estilo de vida, o estresse, tudo isso modifica a qualidade seminal”.
Para a mulher que tem menos de 35 anos e enfrenta dificuldades em engravidar, a médica  sugere esperar mais um ano, um ano e meio, porém sempre praticando. Se depois das tentativas não ocorrer gravidez, a sugestão é procurar um especialista ou o ginecologista. “Não perca tempo com fórmulas mágicas, procure o médico para lhe orientar e ver se você não tem alguma doença. Muitas vezes as coisas acontecem por causa da desinformação, mas tudo tem uma solução, depende do tempo que se leva para buscar a solução. Às vezes os casais jovens passam três, quatro anos tentando engravidar e não conseguem, quando deveriam ter procurado o médico com seis meses, um ano, um ano e meio”, orienta.
A fecundação em vitro, ou a fertilização em vitro é a união do óvulo com o espermatozóide no laboratório, a fim de obter embriões já fecundados para transferir para o útero materno. Já a inseminação artificial ou inseminação intrauterina, técnica de reprodução medicamente assistida que consiste da deposição artificial do sêmen nas vias genitais femininas, são duas  formas científicas finais que podem solucionar o problema da infertilidade, ambas recomendadas por doutora  Genevieve Coelho, que revela ser esta última técnica a mais utilizada pelos casais baianos com dificuldade de gravidez.

“O grande problema é o preço, entre R$15 e R$ 20 mil. É caro”, observa. Já a inseminação intrauterina, recomendada apenas quando o homem tem o esperma fraco, o custo fica entre de R$ 1. 000,00 e R$ 1.500,00. “Mas o povo não estar querendo engravidar por causa da zika”, conclui a médica. 

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