"Faço spinning e
sempre fico preocupada com o volume da música. Posso ficar surda?"
Por mais assustador que
pareça, dá. A exposição regular a sons que ultrapassam o limite do tolerável
pelo corpo aumenta o risco de lesão auditiva. Aos poucos, as
células da cóclea (parte auditiva do ouvido interno) começam a se deteriorar e
dificilmente a pessoa percebe que está perdendo a audição. Quando o indivíduo
relata algum sintoma, como um zumbido frequente, a perda costuma ser severa. Para
piorar, o quadro não pode ser revertido.
No Brasil, o Ministério
do Trabalho criou uma norma regulamentadora de atividades e operações
insalubres, chamada NR15. Nela, é possível ver
qual o nível máximo de exposição diária para determinado nível de ruído
contínuo. Um barulho com 85 decibéis (dB), por exemplo, pode ser suportado
por até 8 horas contínuas, sem lesão. Entretanto, se você aumentar apenas 1 dB,
o número de horas já cai para 7.
Os fones de ouvido
comumente ultrapassam 110 dB, o que garantiria apenas 15 minutos de exposição.
Mas quanto tempo você fica de fone, ouvindo música em um volume alto? O
mesmo ocorre na academia, durante as aulas de spinning. Certamente, o som
ultrapassa os 110 dB e o indivíduo fica mais de 15 minutos na sala. Portanto, o
risco de perda auditiva a longo prazo é alta.
Para se prevenir, o
jeito é evitar o exagero. Seria ótimo que as academias tivessem um som ambiente
que não ultrapassasse os 85 dB, mas não há uma lei para isso. Você pode
baixar aplicativos no celular que têm decibelímetro, ou seja, medem, de forma
não tão precisa, a intensidade de ruído do ambiente. Dessa forma, você pode
pedir para o professor baixar o som. Se ele não topar, use um protetor
auricular. E se você preferir usar um fone, o ideal é que o volume não
ultrapasse 70% do máximo do aparelho.
*** Fontes: Jamal
Azzam, médico otorrinolaringologia, membro titular da Associação Brasileira de
Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial; Jeanne Oiticica,
otorrinolaringologista, otoneurologista e chefe do Grupo de Pesquisa em Zumbido
do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São
Paulo).


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