Produto essencial para a saúde dos dentes, já que ajuda a remover a placa
bacteriana, o fio dental também pode esconder uma substância que é tóxica ao
organismo. Pelo menos é o que sugere um estudo publicado no periódico Journal of Exposure Science &
Environmental Epidemiology.
Estudos anteriores já mostraram que os compostos per- e
polifluoroalquílicas (PFAS) estão presentes em muitos produtos, desde
recipientes de fast food até certos tipos de roupas. O problema é que, uma vez
em contato com o corpo humano, ele não é eliminado e começa a acumular.
A exposição regular ao PFAS levou alguns pesquisadores a examinar seu
impacto na saúde humana. Até agora, os resultados mostraram uma ligação com problemas
de saúde, como colesterol alto, câncer de rim e testículo e doenças da
tireoide.
Para pesquisa atual, os cientistas decidiram analisar se essa substância
também estava presente em algumas marcas de fio dental e se o uso frequente
desses produtos tinha alguma relação com problemas associados à exposição a
PFAS.
Ao todo, foram observadas 178 mulheres, que tiveram amostras de sangue
coletadas entre 2010 e 2013. Os pesquisadores examinaram as amostras para
encontrar níveis de 11 tipos de PFAS. Eles também entrevistaram cada mulher em
algum momento entre 2015 e 2016, fazendo uma série de perguntas sobre
comportamentos potencialmente relacionados à exposição ao PFAS, como consumo de
alimentos, o uso do fio dental e os móveis e carpetes resistentes a manchas.
Uma vez que os cientistas determinaram todas as medições de sangue, eles
os compararam com as respostas dadas pelas mulheres. Eles levaram em conta
fatores como se as pessoas viviam em áreas onde a água estava contaminada com o
PFAS.
A observação mais notável que o estudo fez foi que algumas
"cordinhas" realmente pareceram resultar em níveis elevados de PFAS.
Os pesquisadores estudaram essa associação testando 18 diferentes fios para a
presença de flúor, o que também indica a presença de PFAS.
Outros achados incluíram que as mulheres que relataram comer regularmente
alimentos semi-prontos em embalagens de papelão revestidas tinham níveis mais
altos de quatro tipos de PFAS no sangue. Isso foi comparado com mulheres que
relataram raramente comer esse tipo de comida.
"Esse é o primeiro estudo a mostrar que o uso de fio dental contendo
PFAS está associado a uma maior carga corporal desses produtos químicos
tóxicos. A boa notícia é que, com base em nossas descobertas, os consumidores
podem escolher marcas que não contêm flúor, já que ele pode ser um indicativo
para a presença de PFAS", recomenda Katie Boronow, principal autora da
pesquisa.
Ela explica que as descobertas demonstram que as empresas devem
considerar a restrição desses produtos químicos como uma prioridade.


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