Apesar de a
cana-de-açúcar ser tão abundante no país (somos o maior produtor mundial) a
bebida extraída dela faz parte do cotidiano de poucos brasileiros.
Em parte, isso acontece
porque muita gente tem receio de ingerir o caldo de cana por vir da mesma
matéria-prima do açúcar. Mas o que essa turma não sabe é que a bebida é
recheada de nutrientes e oferece muitos benefícios, inclusive para quem malha.
Veja
a seguir os benefícios da cana de açúcar e como consumi-la:
1.
Ajuda a retardar o envelhecimento.
O caldo, além de outros
produtos obtidos a partir da cana-de-açúcar, apresenta compostos com ação
antioxidante e, por isso, reduz a ação danosa dos radicais livres que aceleram
o desgaste celular no corpo todo, aumentando o risco de doenças como Alzheimer
e Parkinson. Entre essas substâncias estão os flavonoides, a flavona lignana,
os ácidos clorogênico e o cumárico.
2.
Melhora o rendimento e a recuperação de quem pratica atividade física.
Foi essa a conclusão de
um estudo feito na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), no qual a
garapa foi utilizada para matar a sede de jogadores de futebol das categorias
de base e profissional da Associação Atlética Ponte Preta, de Campinas, no
interior de São Paulo, e da Associação Atlética Caldense, de Minas Gerais. Em
todos os casos os esportistas apresentaram melhora na performance e boa
manutenção da massa muscular. De acordo com os autores da pesquisa, isso
acontece porque ela é muito eficiente na reposição de carboidratos que ficam
estocados nos músculos na forma de glicogênio, que é uma importante fonte de
energia durante os exercícios, e ajuda no combate à fadiga.
3.
Colabora na prevenção da anemia ferropriva.
A anemia por
deficiência de ferro corresponde a 90% dos casos. O caldo de cana é rico neste
mineral, que é responsável por ajudar no transporte dos nutrientes e oxigênio
pelo sangue. Quando ele está em falta, a pessoa pode sentir sintomas como
cansaço, falta de apetite, palidez e tonturas.
4.
Ajuda a regular o metabolismo.
Nesse item os louros
são do manganês, muito presente na bebida, que além desse benefício, favorece
também o crescimento da estrutura óssea e a absorção dos nutrientes pelo
organismo.
Quanto
e como consumir o caldo de cana.
Apesar de oferecer
todos esses benefícios, o caldo de cana é muito calórico —um copo de 250 ml
fornece 125 calorias — o que faz com que ele seja um alimento que deve ser
consumido com parcimônia.
Não há propriamente uma
quantidade e uma frequência exatas estabelecidas para consumo, pois isso
depende muito do restante da dieta da pessoa e dos seus hábitos em relação às
atividades físicas. Contudo, de acordo com a OMS (Organização Mundial de
Saúde), há a indicação de restrição da ingestão de açúcares livres —denominação
que inclui além do açúcar e do caldo provenientes da cana, xaropes, mel, entre
outros — para no máximo de 10% das necessidades calóricas individuais.
Tomando-se como exemplo
uma dieta de 2.000 calorias para um adulto saudável, isso corresponderia a 50
gramas (200 kcal) de açúcares livres que podem ser transportados para a
ingestão exclusiva de cerca de 300 ml de caldo de cana. Quem treina pode tomar
200 ml no pós-treino, o que já é o suficiente para repor o glicogênio muscular.
Cuidados com a higiene
na hora da extração do líquido e com a conservação são muito importantes, já
que a bebida estraga rápido, em temperatura ambiente dura apenas algumas horas.
Quem
não deve consumi-lo?
Quem tem diabetes
ou pré-diabetes deve riscar a bebida do cardápio, pois ela potencializa a
elevação de açúcar no sangue. Pessoas obesas, com sobrepeso, pacientes renais
crônicos ou com esteatose hepática, conhecida popularmente como gordura
no fígado, devem evitá-la, a não ser que tenham o aval de um
especialista.
*** Fontes: Clarissa
Hiwatashi Fujiwara, nutricionista coordenadora de nutrição da Liga de Obesidade
Infantil do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo); Daniel Barreto de Melo, nutricionista do Meniá
Centro de Prevenção, em São Paulo; e Carolina Yamin Abdelnur, nutricionista da
Clínica Dra. Maria Fernanda Barca, em São Paulo.

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