Fazer exercícios
físicos regularmente, ninguém contesta, é ótimo para a saúde e o corpo
agradece. Mas e os cabelos, como ficam nessa história? Seja pelo tipo de fio,
por conveniência ou por uma mera questão de tempo, lavar ou não a cabeça depois
de um treino é dúvida recorrente em muitos vestiários. A regra? Não há. Mas ter
em mente alguns critérios vai ajudar você a fazer a melhor escolha.
De acordo com o
tricologista Carlos Henrique Camilo, de São Paulo, tanto o excesso de lavagem
quanto a falta dela podem aumentar a oleosidade do couro cabeludo. A oleosidade
excessiva, por sua vez, propicia o aparecimento de problemas como fungos e
caspa. Uma boa medida, indica o médico, é lavar o cabelo dia sim, dia não.
Se o treino em questão
rende apenas uma suadinha básica, a lavagem pode muito bem ser dispensada.
Basta secar os cabelos e partir para as atividades do resto do dia -lembre-se
de usar o secador na temperatura média e manter uma distância de 15 a 20 cm da
cabeça, aconselha Camilo. Se preferir deixar as madeixas secarem naturalmente,
tanto melhor. Agora, se a malhação é daquelas em que os fios terminam
encharcados, não tem jeito: chuveiro neles.
Esse é o parâmetro
adotado pela designer Glauce Nakamura, 45 anos, de Curitiba. Depois da ioga ou
dos exercícios na academia, ela costuma apenas pentear os cabelos. Já após as
corridas, que pratica três vezes por semana, ou quando pedala, é lavagem na
certa. "Suo muito, minha cabeça ferve!", conta a designer.
E se a malhação intensa
for diária? A tricologista Denise Braga, de Brasília, autora do livro Terapia
Capilar: manual de instruções (Ed. Senac), diz que lavar o cabelo todo dia não
é um problema, desde que se use o xampu adequado. Um anticaspa, por exemplo,
não é para uso diário, porque resseca o couro cabeludo. Já um produto para
cabelos oleosos, se usado com muita frequência, pode ter um "efeito
rebote", diz Denise, ou seja, acaba aumentando a oleosidade.
Seja qual for a
frequência das lavagens, o ponto crucial é secar bem os fios e o couro cabeludo
após o procedimento, avisa a tricologista. O conselho é especialmente
importante para quem faz atividades físicas à noite. Denise recomenda um
intervalo de três horas, em média, entre lavar a cabeça e ir para a cama
-cabelos cacheados ou muito volumosos podem precisar de um período maior. Apelar
para secador antes de dormir, avisa a tricologista, não costuma ser muito
eficaz. "Você acha que secou completamente, mas não secou", diz ela.
Se o horário da
academia é tardio e não há tempo suficiente para eliminar toda a umidade
naturalmente, o melhor é secar apenas o suor e deixar a limpeza para a manhã
seguinte, recomenda Denise. A tricologista explica que o couro cabeludo tem uma
microbiota própria, ou seja, há todo um "ecossistema" sob os fios,
com um equilíbrio a preservar. O suor faz parte dessa microbiota, portanto, sua
presença não é prejudicial. Já o hábito de lavar o cabelo e ir dormir com ele
ainda úmido pode, a longo prazo, desregular esse ambiente e provocar o
aparecimento de fungos e outros problemas.
Cuidado
com o xampu a seco.
Outro fator que
desequilibra a microbiota capilar é o uso excessivo dos chamados xampus a seco.
Esse produto em spray não limpa os cabelos, apenas absorve a oleosidade,
melhorando a aparência dos fios. Para os especialistas, o xampu a seco deve ser
reservado para casos de emergência - não é, portanto, uma alternativa a ser
adotada como padrão pós-academia. Carlos Henrique Camilo indica o uso, no
máximo, duas vezes por semana, e em dias alternados.
A última dica de Camilo
é para quem faz atividades na água e não tem o suor como parâmetro: use uma
touca que proteja bem os fios e programe-se para lavar o cabelo nos dias de
natação. E, se puder optar, prefira piscinas salinizadas ou ionizadas, que não
ressecam tanto o cabelo quanto aquelas que utilizam cloro na manutenção.

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