Um assunto pouco falado
entre pessoas com diabetes e
mesmo no consultório do endocrinologista é a deficiência de vitamina
B12.
Esse é um nutriente
fundamental para a formação dos glóbulos vermelhos do sangue e necessário para
o bom funcionamento dos nervos e do cérebro. Sua carência está associada,
portanto, a anemia, neuropatia (doença
que acomete os nervos do corpo) e até demência.
As principais fontes de
vitamina B12 na dieta são leite, ovos, fígado, carne de porco, atum, salmão e
truta. Porém, para ser absorvida lá no intestino, ela precisa se ligar a uma
proteína produzida pelo estômago.
A carência dessa
vitamina é muito mais comum em pessoas com diabetes tipo 1 e também
com diabetes tipo 2, mas por
mecanismos diferentes.
Pessoas com diabetes
tipo 1 têm um risco cinco vezes maior de ter deficiência de vitamina B12. Isso
se deve ao fato de que o sistema imunológico delas chega a destruir as células
do estômago que produzem a tal da proteína que se liga ao nutriente e permite
sua posterior absorção. Como eu disse, sem a proteína, a vitamina não é
aproveitada pelo organismo direito.
Tem mais: quem tem
diabetes tipo 1 encara uma maior probabilidade de ter doença celíaca — condição inflamatória e autoimune
que se agrava com a ingestão de glúten. A associação da
doença celíaca com o diabetes, por sua vez, aumenta a propensão à deficiência
da vitamina B12.
Com o diabetes tipo 2 a
história é outra. O problema isoladamente não eleva o risco de faltar B12 no
organismo. A questão está na metformina, medicamento usado para tratar a
resistência à insulina e controlar os níveis de glicose no sangue.
Falamos de um remédio
com mais de 60 anos de história e prescrito a praticamente toda pessoa com
diabetes tipo 2. Entre seus efeitos colaterais, ele está ligado a uma
diminuição na absorção intestinal de vitamina B12. Isso não é motivo para
largar o tratamento, por favor. Mas pede atenção!
Tanto quem tem diabetes
tipo 1 como indivíduos com o tipo 2 devem ter seus níveis de vitamina B12
avaliados periodicamente. Deficiências podem ser corrigidas com mudanças na
dieta e suplementação a critério médico.

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