Neste mês, é realizada
a campanha de prevenção ao suicídio,
conhecida como Setembro Amarelo. Como esse assunto ainda é tabu, a
iniciativa visa expor o máximo de informações sobre o tema, com palestras e
ações ao longo desse período.
(A Microsoft News apoia
a causa Setembro Amarelo, uma campanha de conscientização e de prevenção ao
suicídio da ABP, junto ao Conselho Federal de Medicina. Leia
mais)
Para ajudar na
conscientização e educação da população sobre o tópico, o Busca
Voluntária levantou algumas das questões mais comuns a respeito do
suicídio e entrou em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV),
para saber se se tratavam de verdade ou mito. A seguir, você confere as
respostas do porta-voz da entidade, Carlos Correia.
“Apenas pessoas com
transtornos mentais têm comportamento suicida”.
O comportamento suicida
é influenciado por um conjunto de fatores. Segundo especialistas da área da
saúde mental, grande parte das pessoas que tiraram a vida sofriam de um
transtorno mental. Porém, não quer dizer que uma pessoa que tem um distúrbio
mental vá cometer suicídio.
“Quem fala sobre
suicídio não tem a intenção de cometê-lo”.
As pessoas que falam
sobre se matar estão mandando sinais diretos ou indiretos de que têm a intenção
de cometer o ato. Nessa situação, nenhum dos alertas pode ser banalizado.
Para entender o que ela
quis dizer com aquilo, uma ótima ideia é promover o acolhimento dessa pessoa,
com uma conversa compreensiva, num ambiente favorável, em que ela possa
conversar, sinceramente, sobre o que está sentindo. Se o caso for muito grave,
a saída é oferecer ajuda médica.
No fim, pode ser
constatado que era uma chantagem. Entretanto, se a pessoa morrer, porque alguém
desacreditou dos sinais, o indivíduo que desvalorizou aquelas palavras pode
passar por um sofrimento muito grande.
“A maioria das pessoas
dá sinais antes de cometer um suicídio”.
Na maior parte das
vezes se percebem alertas, o que não quer dizer que todos possam emitir. Mas
esses sinais podem ser quase imperceptíveis. Os avisos podem surgir por meio de
uma poesia melancólica ou de uma postagem nas redes sociais.
Como esses indícios
costumam ser muito sutis, é fundamental que as pessoas procurem estar muito
atentas aos seus entes queridos e amigos. É muito importante que os indivíduos
procurem informações para entender melhor esses sinais e aprender a lidar com
eles.
“Depois de uma
tentativa, se a pessoa tem uma melhora rápida, quer dizer que o pensamento
suicida já passou”.
Após uma tentativa de
suicídio, a pessoa está no topo da lista de risco. Os indivíduos precisam
passar por um acompanhamento médico, só assim eles poderão se tratar
e conseguir ter uma vida normal. Como no começo a situação é muito
delicada, é necessário ter muito cuidado depois do acontecimento, porque a
probabilidade de se repetir é enorme.
“Uma pessoa que tentou
se matar uma vez, dificilmente irá tentar novamente”.
No primeiro momento, a
probabilidade da pessoa tentar de novo é muito alta. Mas, depois que tudo for
superado, ela pode voltar a ter uma melhor qualidade de vida.
“Quando a pessoa já deu
algum indício de pensamento suicida, é melhor conversar com ela”.
O ideal é sempre falar
com ela, mas não pode ser de qualquer jeito. Precisa ser uma conversa
compreensiva, respeitosa, num lugar reservado. É um diálogo que não pode haver
minimização daquilo que a pessoa está dizendo.
O essencial é saber o
que está acontecendo com a pessoa e por que ela está sentindo esse desejo
de terminar sua vida. Ao abrir esse diálogo, o indivíduo vai perceber que
alguém se importa com ela. Dessa forma, pode se sentir mais confortável para
falar sobre o assunto.
“O suicídio é uma
decisão individual”.
A pessoa tem toda a
liberdade de decidir o que é melhor a ela. A grande questão é que muitas vezes,
por estar envolvida em um grande problema que causa muito sofrimento e já ter
buscado diversas soluções, ela não encontra uma saída. Ela entra em um momento
de grande fragilidade e pode perder a noção sobre qual decisão tomar.
Pode ser que ela tenha
tentado se comunicar com alguém para dizer o que está acontecendo e não deu
certo. Então, ela começa a se isolar e ficar num momento de extrema solidão, e
isso impede que ela enxergue outra solução que não seja o suicídio.
“O suicídio só impacta
a pessoa que tirou a própria vida”.
Amigos e familiares –
afetados por uma morte por suicídio – são considerados sobreviventes e passam a
fazer parte de um grupo de risco. Eles podem repetir o ato, por se sentirem
culpados por não terem dado atenção.
“Depressão e abuso de
drogas são as maiores causas do suicídio”.
A depressão e o abuso
de drogas podem aumentar a probabilidade de alguém se matar, mas essa não é uma
condição necessária. Geralmente, o suicídio está associado a algum transtorno.
Por isso, se os distúrbios forem descobertos e tratados, a pessoa pode voltar a
ter uma melhor qualidade de vida.


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