quinta-feira, 16 de setembro de 2010

OS SETE PECADOS DA INADIMPLÊNCIA...

FONTE: Leo Barsan, TRIBUNA DA BAHIA.

No mês de agosto, a inadimplência do consumidor brasileiro cresceu 11,5% em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo pesquisa divulgada pela Serasa Experian. Considerada a maior alta para os meses de agosto desde 2005, a situação é provocada por, pelo menos, “sete pecados” que levam as pessoas a se endividarem.
Para a economista Cristina Argiles, o primeiro deles é a falta de educação financeira. “As pessoas que desconhecem a importância do dinheiro e as formas corretas de utilizá-lo estão a um passo das dívidas. Isso acontece com a maior parte da população. Sou a favor da existência de uma disciplina de economia nos colégios. A educação começa desde o uso da mesada. Nem os pais nem as escolas orientam. Cursos e livros também ajudam”, defende.
Diante da exposição à sociedade de consumo, segundo Cristina, a ausência de planejamento financeiro aparece como um ato errado. “Muitos não sabem para onde vai o dinheiro que recebem. As pessoas ganham e gastam sem controle nenhum ou com um controle superficial. O descontrole financeiro não acontece nos primeiros gastos, mas nos pequenos. O caminho para sair desta situação é o preenchimento de uma caderneta diária de todos os gastos. É importante conhecer os seus números”, orienta.
O marketing e a publicidade são tentações que os consumidores precisam resistir. “A propaganda cria “necessidades” que não temos. Ter consciência disso é fundamental. Com tantos anúncios as pessoas passam a acreditar que parte do que é oferecido é realmente necessário. Não se deve comprar por impulso. O ideal é questionar na hora: realmente preciso desse produto? É interessante deixar a compra para outro dia, a fim de refletir melhor”, define a economista.
Para Cristina Argiles, também professora de Economia da Unijorge, o crédito fácil é um pecado que rende lição em sala de aula. “Já no primeiro dia de curso peço aos alunos que me dêem o cartão de crédito para quebrar. Muitos dos que se arriscam, depois voltam para me agradecer. Outros, claro, pedem uma segunda via”, diz, entre risos.
Ela alerta que os juros cobrados por essas facilidades são altos e, na mesma proporção, aumentam a inadimplência. “Tem gente que o cheque especial faz parte do salário. O mercado oferece milhares de produtos de fácil acesso como empréstimos, crediários, financiamentos e pagamento mínimo do cartão de crédito. Um hábito saudável seria juntar dinheiro para comprar à vista porque muitas coisas podem esperar. Comprar com crédito somente em necessidades extremas”, argumenta.
PARCELAMENTO, UMA ARMADILHA.
A inadimplência não vem em parcelas, mas vem de parcelamentos. “Quem parcela compras não percebe que já estão se endividando. Muitas vezes esquece-se de colocar esses valores no orçamento. Um parcelamento na verdade é uma forma de crédito, pois, você está usando um dinheiro que não possui para comprar um produto. Deve ser evitado. Caso não seja possível, o parcelamento deve constar no orçamento mensal para que o valor da dívida seja separado. Além disso, deve-se ter uma poupança paralela para imprevistos”, ensina Cristina.
A economista aponta a falta de sonhos como outro pecado que leva à inadimplência. “Se a pessoa não determina a forma que vai utilizar o dinheiro poderá gastar de forma irresponsável. Ocorre muito pela falta de capacidade das pessoas de sonharem com o que querem no futuro, vivendo muito o presente. Simples: reflita por cinco minutos diários sobre quais são realmente os seus sonhos. Cote os valores e determine parte de seu dinheiro, quando recebê-lo para esse fim.
Assim será muito mais difícil cair em armadilhas do consumismo”, acredita.
Cristina Argiles ressalta que os sonhos de consumo devem ser realistas. “O consumismo reflete, também, a necessidade de status social. Muitas pessoas acreditam que possuir alguma coisa é que irá fazer a diferença na sociedade."

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