Estima-se
que 7 milhões de mulheres convivam com a endometriose no Brasil. É muita gente
sentindo, mês a mês, fortes cólicas menstruais, dor nas relações sexuais e, pior, descobrindo que não
consegue engravidar, já que essa é uma das principais causas de infertilidade. A doença acontece quando a descamação do endométrio (a
menstruação) não acontece da forma correta, de modo que o tecido que reveste o
útero se instala em outras partes da cavidade abdominal e até em órgãos como
intestino, bexiga e pulmões.
O
problema pode ser causado por vários fatores, como questões genéticas,
imunológicas e até ambientais. Infelizmente, não há uma forma específica de evitar que a endometriose apareça, mas sabe-se que um estilo de vida saudável tem
influência positiva tanto na prevenção quanto no tratamento da encrenca.
Aliás,
quem convive com a doença tem ainda mais motivos para praticar atividade física
com frequência e, principalmente, adotar uma alimentação saudável e
equilibrada. Esses dois hábitos são importantes para combater a inflamação no
organismo, processo diretamente ligado ao agravamento do quadro. É que, ao se
deslocarem para fora do útero, as células endometriais produzem substâncias
inflamatórias – e é isso que causa todo o incômodo que as mulheres sentem.
Escolhas
à mesa.
Apostar em alimentos com propriedades
anti-inflamatórias e se
manter longe de itens que provoquem essa reação é fundamental para quem tem a
condição. “De modo geral, uma pessoa com endometriose deve reduzir a ingestão
de carne vermelha, leite e derivados (como queijos amarelos e manteiga),
embutidos, frituras, açúcares e doces em geral, farinha refinada, refrigerantes
e outras bebidas gaseificadas de forma artificial”, orienta a médica Stela De
Simone, coordenadora do Serviço de Acupuntura de Endometriose do Hospital
Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
(Uerj). Por outro lado, orienta a especialista, é importante incluir no prato
frutas, verduras, cereais integrais e ingredientes ricos em ômega-3, gordura que combate a inflamação.
Durante
as refeições, evite beber junto com a comida, pois a prática atrapalha a
digestão. “Isso faz com que um material residual seja produzido, aumentando o
stress oxidativo no organismo”, adverte Stela. A resposta a esse processo é ela
mesma: a inflamação.
Na
hora de temperar as preparações com sal, pegue leve – principalmente se você
sofre com a pressão alta. “É que a hipertensão gera reações inflamatórias”,
alerta o ginecologista Marco Aurelio Pinho de Oliveira, chefe do Ambulatório de
Endometriose do Hospital Universitário Pedro Ernesto e autor do livro Endometriose Profunda — O Que Você
Precisa Saber (Di Livros,
2016). Se possível, prefira as versões menos refinadas, como o sal marinho e o
rosa (ou do Himalaia).
Perigo
no plástico.
Também
é prudente evitar produtos plásticos, como potes, copos e garrafas, que
contenham bisfenol, substância que afeta o sistema endócrino. “A gente não sabe
qual o mecanismo exato, mas já se viu que pacientes com endometriose têm mais
bisfenol no corpo”, relata Oliveira. Para identificar o composto, procure por
um número na embalagem, que costuma estar no fundo. Aquelas que indicam 3 e 7
são as que trazem mais risco de liberar o agente tóxico quando aquecidas. Os
recipientes de número 5 não oferecem perigo. Se estiver escrito “livre de BPA”
significa que não há bisfenol ali.


Nenhum comentário:
Postar um comentário