FONTE: Do UOL, em São Paulo, (noticias.uol.com.br).
Um estudo feito por
pesquisadores do Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e Instituto de
Ciências Biomédicas da UFRJ (ICB-UFRJ) mostrou que a planta medicinal ayahuasca
(popularmente conhecida como chá do santo daime) pode aumentar a proliferação
de progenitores neurais humanos em mais de 70%. A pesquisa foi publicada na
revista científica norte-americana PeerJ.
Uma pesquisa
anterior, publicada na Revista Brasileira de Psiquiatria, já havia
mostrado que a bebida pode ser eficiente na redução dos sintomas de depressão.
Segundo os dados do estudo, 24 horas após a ingestão do chá, os voluntários
relataram diminuição dos sintomas depressivos em cerca de 62%, em média. Esse
efeito estaria relacionado a harmina, uma espécie de antidepressivo
natural, presente em grandes quantidades na ayahuasca.
"Sabíamos que o
efeito de antidepressivos está associado ao estímulo da neurogênese em
roedores. Decidimos testar se a harmina, provocaria o mesmo efeito em células
neurais humanas", afirma Vanja Dakic, doutoranda da UFRJ e uma das autoras
do estudo.
Para entender a ação
da harmina, os pesquisadores expuseram células geradoras de neurônios humanos,
criados em laboratório, aos efeitos dessa substância. Após quatro dias em
contato com as células, esse componente da ayahuasca aumentou a proliferação
dessas células neurais em até 70%.
Os cientistas também
foram capazes de identificar como as células neurais humanas respondem à
harmina. O efeito depende da inibição de uma proteína conhecida como DYRK1A,
cujo gene localiza-se no cromossomo 21, é bastante ativado no cérebro de
pessoas com Síndrome de Down e pacientes com Alzheimer.
A formação de
novos neurônios no cérebro adulto é um processo complexo. Depois da
proliferação as novas células podem tomar outros rumos. "Conseguimos
identificar o processo de proliferação como efeito da harmina, agora precisamos
identificar a migração e a diferenciação", explica Dakic.
Chá alucinógeno.
A ayahuasca é popular
por provocar efeitos alucinógenos o que gera polêmica em torno do uso mesmo em
rituais religiosos. No Brasil, o Conselho Nacional Antidrogas retirou
substância da lista de drogas alucinógenas em novembro de 2004, permitindo o
uso nos rituais religiosos. No entanto, a composição contém dimetiltriptamina,
que é proibida em alguns países, como na Rússia e nos EUA.
O estudo faz parte da
tese de doutoramento de Dakic do Programa de Pós-Graduação em Ciências
Morfológicas da UFRJ, orientada pelo professor Stevens Rehen, pesquisador do
IDOR (Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino) e ICB-UFRJ.

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