Reposição hormonal:
quem acompanha o mundo fitness ou de esportes amadores de alto rendimento
provavelmente já ouviu falar do assunto. Mas saiba que o procedimento, tratado
naturalmente e recomendado por muitos influenciadores no Instagram e até alguns
médicos, nada mais é do que um nome disfarçado para as populares bombas
(anabolizantes), que ganharam um novo nome, disfarçado e livre das
conotações negativas.
Os anabolizantes são
medicamentos de substância de origem hormonal ingeridos ou injetados, indicados
por médicos para pessoas com problemas específicos.
No entanto, contribuem com o aumento de performance física, ganho de massa
muscular e, consequentemente, perda de gordura. Por isso, são utilizados por
quem busca um atalho para acelerar os resultados no treino.
Os anabolizantes
incluem os hormônios esteroides, que são a testosterona e os
derivados dela, como a oxandrolona e o estanozolol. Mas outros hormônios, como
o do crescimento (GH), também podem ser usados para os mesmos fins.
Quem precisa de
reposição.
Saiba que a reposição
hormonal só é recomendada para casos específicos, nos quais o paciente
realmente precisa.
"Crianças com
falta do hormônio de crescimento ou homens com doenças genéticas que impedem a
fabricação natural de testosterona, ou que perderam o testículo em algum
acidente... Esses são os tipos de casos em que há a recomendação, mas apenas
para que os hormônios fiquem em níveis normais", esclarece a
endocrinologista e metabologista Andressa Heimbecher, colaboradora do Grupo de
Obesidade e Síndrome Metabólica do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo).
Se você não tem nenhum
problema de saúde, deve ter cuidado e buscar uma segunda opinião quando algum
médico, educador físico ou nutricionista sugerir a reposição --principalmente
quando os benefícios do tratamento listados pelo especialistas forem melhoras
estéticas e no desempenho físico.
"Muitos
profissionais hoje não são responsáveis e prescrevem hormônios de modo não
regulamentado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia, que é contra esse
tipo de modulação."
Riscos e efeitos
colaterais.
Os riscos à saúde são
conhecidos por muitas pessoas que usam esse tipo de substância
indiscrimadamente, mas nem sempre levados tão a sério quanto deveriam. De
acordo com Heimbecher, os perigos podem ser um pouco diferentes entre os sexos
e dependendo do hormônio escolhido.
Nos homens, quando
o hormônio atinge níveis muito altos, como é o caso de quem toma anabolizante, aumenta-se
o risco de doenças cardíacas, cai o nível de colesterol HDL (considerado como
protetor), sobrecarrega o fígado, podendo levar a quadros de hepatite, e ainda
aumenta a irritabilidade e agressividade dos indivíduos.
Nas mulheres, alguns
dos efeitos do excesso do hormônio aparecem em pouco tempo, como pele mais
oleosa, acne, queda de cabelo e crescimento de clitóris. Os mesmos perigos
em relação à intoxicação hepática e riscos cardíacos também se aplicam a elas.
"Quando se trata
do GH, não sabemos até que ponto ele pode acelerar alguns tipos de câncer.
Se uma das suas células tem a mutação de um DNA que a transformaria em um
câncer, mas ela está controlada pelo sistema imunológico, quando recebe uma
dose de hormônio de crescimento, essa célula tem a tendência de se
proliferar", informa a especialista.
Além disso, o hormônio
de crescimento tem outros efeitos colaterais, como o crescimento de
mandíbula, pés e mão, da cartilagem do nariz e orelha, e até de órgãos como
tireoide e coração.
Os danos são
reversíveis?
Os efeitos são dependentes
de dose e tempo de uso --quanto maiores, maior o risco de efeitos colaterais.
"Mas, apesar de sabermos que os efeitos imediatos são revertidos com a
suspensão do uso, ainda não se sabe o quão negativo serão os efeitos negativos
em logo prazo", indica Heimbecher.
Em quais casos o
anabolizante pode levar à morte?
"Quando temos um
caso agudo das complicações causadas pelo uso das substâncias. Pode acontecer,
por exemplo, quando uma pessoa que já tem predisposição a ter trombose toma
testosterona. Sua hemoglobina vai de normal para alto, um dos efeitos
colaterais do anabolizante, e durante uma viagem longa pode ocorrer o quadro de
trombose e levar à morte por embolia", explica a médica.
De acordo com a
especialista, apesar de parecem casos isolados, as complicações como infartos,
derrames e morte súbita por arritmia, para quem faz uso das substâncias, são
relativamente comuns e podem parecer eventos sem qualquer relação às bombas.


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