FONTE: Daniel César, Colaboração para o UOL, em Pereira Barreto (SP), https://noticias.uol.com.br/
O
nome Diego da Silva é bastante comum no Brasil, mas uma infeliz coincidência
levou um soldador de 35 anos a ficar mais de um mês preso, por ser homônimo de
um condenado em Mato Grosso. A coincidência entre os dois foi tanta que as mães
de ambas também têm o mesmo nome, o que contribuiu para que a polícia e o Poder
Judiciário cometessem o erro.
O UOL
conversou com a defensora pública Corina Pissato, uma das responsáveis por
reverter a prisão do homem, e ela explicou que Diego foi detido em 9 de abril,
enquanto caçava e estava com a posse irregular de uma arma de fogo.
"Ele
não foi preso por ser o outro condenado, mas por posse ilegal de arma de fogo e
somente depois disso é que houve a confusão", justifica. Segundo ela, o
delito de Diego não era grave o suficiente para que uma prisão preventiva fosse
pedida.
A
partir do momento da prisão, Diego, que é morador de Mozarlândia (GO), mas
trabalhava como soldador numa balsa que faz o trajeto entre a cidade e
Cocalinho (MT), viveu uma sucessão de coincidências que o fez ser confundido
com um condenado que já estava preso num presídio de Várzea Grande (MT),
complicando seu caso.
"Ele
estava sem nenhum documento pessoal porque havia caído no rio e ele não tinha
se preocupado em tirar novos", conta Corina ao dar detalhes sobre a
história. "Na prisão, não foi coletada a digital do Diego e a única prova
era o nome, que era o mesmo de outro preso", continua.
Na
audiência de custódia, diante de uma juíza em MT, ele explicou que não tinha
nenhuma dívida com a Justiça e que era morador de Goiás e não de Mato Grosso,
mas de pouco adiantou.
"Com
o mesmo nome dele e da mãe, a Justiça decidiu mantê-lo preso por ser homônimo e
há uma previsão legal para isso", continua. Diego foi encaminhado para a
Penitenciária de Água Boa (MT).
Corina
lembra, no entanto, que foi a Defensoria Pública quem se debruçou sobre o caso
para solucioná-lo, já que o homônimo foi condenado por roubo e está preso na
penitenciária de Várzea Grande (MT).
"Entrevistamos
ele três vezes para ouvir a história e saímos atrás de provar que esse Diego
não era o mesmo que havia sido condenado", conta.
A
Defensoria reuniu no cartório da cidade em que o homem foi registrado uma cópia
da certidão de nascimento que mostrava a primeira diferença: a data de
nascimento. Depois disso, foi a vez do segundo passado. "Confrontamos as
impressões digitais e, assim, conseguimos provar que foi um erro".
Diante
das provas, a Defensoria entrou com um pedido de revogação da prisão, que foi
concedido. Agora, faltam poucos trâmites, mas a previsão é de que Diego seja
solto ainda hoje. "Não fosse a gente ter ouvido e investigado a história,
ele ficaria preso indefinidamente", comenta Corina.
Mas
a soltura de Diego será o primeiro passo para sua regularização. Ele ainda terá
que tirar novos documentos e, depois disso, garantirá que seu nome não constará
como preso. "Ele terá um novo RG e vai poder viver normalmente",
finaliza a defensora pública.

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