FONTE:
, Juliana Malacarne, Revista
Crescer, https://extra.globo.com/
O Ministério da Saúde determinou a interrupção da vacinação contra a Covid-19 em gestantes sem comorbidades no Brasil. A decisão, anunciada na última terça-feira (11), foi tomada depois da notificação do óbito de uma grávida de 35 anos, dias após a aplicação de uma dose do imunizante da AstraZeneca/Fiocruz. Ela apresentou um acidente vascular cerebral hemorrágico, e o feto também não resistiu. O caso está sendo investigado pelo Ministério da Saúde, que tenta descobrir se foi um efeito colateral. Diante desse cenário, especialistas explicam os perigos que a trombose representa para esse grupo e como contorná-los.
A grosso modo, a trombose surge quando um coágulo se forma dentro de uma veia ou artéria, o que dificulta a circulação do sangue. Na gestação, em casos extremos, pode levar ao comprometimento da placenta, com altos riscos para o bebê, ou à embolia pulmonar, um quadro respiratório grave.
Apesar de não ser comum, a incidência aumenta na gravidez, principalmente em mulheres que têm predisposição genética, estão acima do peso ou já haviam apresentado o problema. Um estudo publicado na revista americana “The Lancet” constatou a incidência de trombose venosa profunda em até duas a cada mil gestantes.
A trombose normalmente está associada a uma deficiência na cadeia de elementos que regulam a coagulação, o que pode ser genético. Por isso, é importante ficar atenta se há casos na família.
— A melhor maneira de preveni-la é levar uma vida saudável, com exercícios físicos e dieta balanceada — aconselha o médico Pedro Pablo Komlós, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, acrescentando que varizes também são um fator de risco e devem ser tratadas o quanto antes.
Passar longos períodos de tempo sentada, como em viagens ou durante a jornada de trabalho, facilita o aparecimento de coágulos nas pernas — ou seja, é importante mantê-las em movimento. Um bom exercício é apoiar a ponta dos pés no chão e realizar movimentos de pedalada, como se estivesse em uma bicicleta, para estimular a circulação.
A importância do diagnóstico e
tratamento.
Dor, inchaço e sensação de calor nas pernas fazem muitas grávidas confundirem a retenção de líquido nos membros inferiores, que ocorre naturalmente no período da gestação, com trombose venosa. De fato, as manifestações são parecidas e a única maneira de tirar a dúvida é consultar especialista. O diagnóstico precoce pode evitar consequências mais sérias. O tratamento consiste em medicação, exercícios e uso de meias elásticas, que estimulam a circulação. E, mesmo depois de dar à luz, é preciso ficar atenta.
— A trombose é um pouco mais comum no puerpério que na gestação, porque se trata de um período em que ocorrem diversas alterações hormonais drásticas — explica Pedro Pablo Komlós.
Para a ginecologista e obstetra Melania Amorin, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a suspensão da vacinação em grávidas deve ser avaliada com cuidado:
— A decisão foi baseada em um único caso de trombose, que não se sabe ainda se foi decorrente da vacina ou da própria gravidez. Que pelo menos garantam a imunização das gestantes com as doses da Pfizer e da Coronavac, pois muito maiores que eventuais riscos da vacina são os perigos da Covid-19 na gravidez.

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