FONTE: Acorda Cidade, TRIBUNA DA BAHIA.
O Brasil é um dos países com taxa mais alta de
mortalidade por sepse no mundo, podendo chegar a 55%.
O Hospital Municipal
Souza Aguiar, no centro do Rio de Janeiro, recebeu na quinta-feira (10/9) uma
ação de conscientização sobre a sepse, com distribuição de material à população
e esclarecimento de dúvidas sobre a doença.
Em 13 de setembro,
transcorre o Dia Mundial da Sepse, que registra 670 mil casos no Brasil por
ano, de acordo com dados do Instituto Latino Americano de Sepse (Ilas).
A sepse era conhecida,
anos atrás, como septicemia ou infecção generalizada. Com a evolução da
medicina, foi descoberto que a sepse ocorre por conta de uma reação inadequada
do organismo a uma infecção.
O organismo reage à
infecção lançando moléculas para combater e matar as bactérias infecciosas, mas
isso pode causar danos aos tecidos normais, como os do pulmão ou do rim de uma
pessoa.
Esse dano aos órgãos
pode gerar um processo de disfunção de múltiplos órgãos ou falência de
múltiplos órgãos.
O vice-presidente do
Ilas, Luciano Azevedo, explicou que quanto mais órgãos param de funcionar,
maior é a gravidade da doença e maior é a chance de o paciente morrer. Por
isso, ele destacou a importância do diagnóstico precoce.
“Uma vez que o
cidadão tenha sinais de um processo infeccioso, é sempre bom procurar logo um
serviço de saúde para ser avaliado por um médico. É importante a ida a um
pronto-socorro, porque o tratamento é muito dependente do diagnóstico precoce.”
O tratamento ocorre
com uso de antibiótico, soro na veia para normalizar a pressão e combater a
desidratação, além de remédios para controlar a febre e para vômito, caso
necessário.
Segundo Azevedo, o
Brasil é um dos países com taxa mais alta de mortalidade por sepse no mundo,
podendo chegar a 55%. Ele enumerou três fatores que fazem a mortalidade no
Brasil ser alta: desconhecimento do público leigo, desconhecimento do
profissional de saúde e a infraestrutura inadequada do sistema de saúde
brasileiro, principalmente, do Sistema Único de Saúde (SUS).
“A sepse ainda é
desconhecida porque as pessoas não atentaram para isso. O que falta é
exatamente o que estamos tentando fazer: divulgação. Temos ações para explicar
a importância e gravidade da sepse aos profissionais de saúde. Além de ações
para o público leigo, com pessoas explicando o que é a sepse e profissionais de
saúde que vão atender e tirar as dúvidas a respeito da doença. No final,
queremos que a taxa de mortalidade seja reduzida.”
Essa ação faz parte
das atividades organizadas para a Campanha Prevenção de Infecção na UTI
[Unidade de Terapia Intensiva], promovida pela Associação Brasileira de
Medicina Intensiva (Amib), lançada em abril deste ano.
A entidade ainda
enviará material de esclarecimentos às 1.900 unidades de terapia intensiva
brasileiras e deve atingir cerca de 100 mil pessoas.
De acordo com o
presidente da Campanha, Thiago Lisboa, 70% dos pacientes internados nas
unidades de terapia intensiva recebem tratamento para algum tipo de infecção, e
nesse ambiente, o risco de infecção é de cinco a dez vezes maior do que em
outros ambientes hospitalares.
“A principal medida
que reduz uma infecção é uma adequada higienização das mãos, porque com isso já
se diminui bastante o risco de transmissão de infecção dentro de um hospital de
um paciente para outro.”
O médico enumera
outras medidas como o uso racional de antibióticos, tomar cuidado com a limpeza
do ambiente, além de usar adequadamente as precauções que forem indicadas como
a luva e o avental para evitar o contato excessivo com bactérias.
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