FONTE: Matheus Fortes, TRIBUNA DA BAHIA.
A Secretaria de Saúde da Bahia
(Sesab) emitiu um alerta epidemiológico às unidades sobre a "doença
misteriosa".
A
Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) emitiu um alerta epidemiológico às
unidades sobre a “doença misteriosa”, que provoca dores musculares intensas e
provoca alterações na urina, deixando com cor escura. .A Secretaria informou
que o “quadro apresentado pelos pacientes é compatível com uma variante da
Síndrome da Mialgia Epidêmica também conhecida como “Doença de Bornhoim”.
“A dor muscular é causada por uma
infecção viral e afeta a parte superior do abdômen e do tórax inferior. Ela é
caracterizada como espasmódica e desenvolve-se de repente, piorando a cada
movimento e respiração profunda, causando falta de ar para o individuo
afetado”, diz um trecho, que deixa claro que os casos não tiveram
comprometimento respiratório”. A Doença de Bornhoim pode ser por meio de pessoa
para pessoa, através de gotículas ou objetos contaminados.
A suspeita é de que a doença foi
provocada pela ingestão de peixe pelos pacientes. De acordo com o Dr. Antônio
Bandeira, infectologista que tem tratado a maioria dos casos, os pacientes
relataram terem consumido peixes, como Badejo e Olho de Boi, além de outros
relatos de peixes comprados em Guarajuba, no litoral norte baiano.
Até o momento, especialistas tem
trabalhado com duas hipóteses para o a enfermidade. Uma delas é a de que ela é
causada por um agente transmissor, embora não saiba qual. A segunda, é a de que
a enfermidade seria a Síndrome de Raff – doença que já teve casos registrados
no norte do país, e que é causada pela toxina de uma alga, que por sua vez é
ingerida por peixes de água doce.
Vendas de peixe.
O surto da indefinida enfermidade que causa fortes dores musculares e urina
preta debilitou pelo menos onze pessoas em Salvador desde a última semana, mas
estas não foram as únicas prejudicadas. Após a suspeita de que a doença tenha
sido causada pela ingestão de carne de peixe, vendedores viram sua receita
despencar neste último fim de semana.
Um dos espaços de maior comércio de
frutos do mar da capital, o Mercado Popular, situado na região de Água de
Meninos, sentiu severamente o impacto da suspeita na população pelo seu
produto. De acordo com Antônio Neves, comerciante local, a queda, para todo o
espaço beirou aos 70%, e, quem aguardava bons resultados para um sábado comum
desta época do ano, amargou prejuízos.
“Nesta época do ano, costumo vender num sábado, aproximadamente R$ 5 mil em
frutos do mar. Ontem, não cheguei R$ 1 mil”, relata Neves, que trabalha no
local há 14 anos, e vende boa parte dos peixes que costumam fazer a festa na
mesa dos baianos nesta temporada, como o vermelho, corvina e o badejo – este,
inclusive, apontado como um dos peixes sob o qual caiu a suspeita da
contaminação.
Segundo o vendedor, essa suspeita contribuiu para um alarde entre os clientes
que demorarão mais tempo para retomar o consumo. “Quando sai alguma notícia
dessa, as pessoas ficam muito assustadas e querem evitar aquilo ao máximo. Mas,
o peixe que estaria contaminado são vendidos por ambulantes, sem os cuidados,
ficando muito exposto, de uma forma que não vendemos aqui”, explicou ele, ao
mostrar seu produto, bem refrigerado, e guardado no estoque.
Logo após a constatação do surto da
doença misteriosa, pescadores de Guarajuba, no litoral norte, denunciaram que
um grupo de ambulantes locais vendia peixes de má qualidade comprados em
Salvador, no balde com água e formol aos turistas, mentindo também sobre a
proveniência dos pescados.
Ainda de acordo com Antônio, o
peixe que seria vendido pelo grupo é bem mais barato que o badejo ou olho de
boi e atende pelo nome de “piramboca”. Sobre a prática de colocar formol no
peixe, Antônio, destaca que isso não é feito pelos comerciantes do Mercado
Popular e critica o uso. “Na obsessão de querer vender a qualquer custo, alguns
comerciantes acabaram por prejudicar a categoria inteira”, destacou.
Embora receosos com a nova
enfermidade, consumidores como a lojista Jeane Cerqueira, acham que os casos da
doença misteriosa, são, até o momento, isolados, e não vê motivos reais para
evitar o consumo de peixe, já que costuma ser cuidadosa em todo fruto do mar
que compra.
“Nunca compro qualquer fruto do mar
vendido no meio da rua, em baldes. Essa não é a forma correta de conservá-los,
e a gente fica muito vulnerável ao consumir um produto desses. Continuarei
dando preferência aos mercados que são fechados, climatizados ou onde os
produtos estejam bem armazenados no estoque. São mais caros, porém mais
seguros”, explica a lojista.
RECUPERAÇÃO.
Apesar de resultados amargos para o fim de semana, o presidente da Associação
de Permissionários do Mercado Popular, Luiz Carlos de Jesus, estima uma melhora
nos próximos dias. A avaliação é de que a queda de vendas no último sábado não
deve interferir no comércio de frutos do mar na capital para o verão.
“Pouco a pouco, o caso vai ser
esclarecido e as pessoas vão perceber que não precisam temer o consumo do peixe
aqui. Até porque, as suspeitas recaiam sobre peixes de água doce, que nós não
vendemos aqui”, avalia Luiz Carlos, que estima uma recuperação já nos próximos
dias com a proximidade das festas de fim de ano.
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