segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

GOVERNO EMITE ALERTA EPIDEMIOLÓGICO...

FONTE: Matheus Fortes, TRIBUNA DA BAHIA.

A Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) emitiu um alerta epidemiológico às unidades sobre a "doença misteriosa".
A Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) emitiu um alerta epidemiológico às unidades sobre a “doença misteriosa”, que provoca dores musculares intensas e provoca alterações na urina, deixando com cor escura. .A Secretaria informou que o “quadro apresentado pelos pacientes é compatível com uma variante da Síndrome da Mialgia Epidêmica também conhecida como “Doença de Bornhoim”.
“A dor muscular é causada por uma infecção viral e afeta a parte superior do abdômen e do tórax inferior. Ela é caracterizada como espasmódica e desenvolve-se de repente, piorando a cada movimento e respiração profunda, causando falta de ar para o individuo afetado”, diz um trecho, que deixa claro que os casos não tiveram comprometimento respiratório”. A Doença de Bornhoim pode ser por meio de pessoa para pessoa, através de gotículas ou objetos contaminados.
A suspeita é de que a doença foi provocada pela ingestão de peixe pelos pacientes. De acordo com o Dr. Antônio Bandeira, infectologista que tem tratado a maioria dos casos, os pacientes relataram terem consumido peixes, como Badejo e Olho de Boi, além de outros relatos de peixes comprados em Guarajuba, no litoral norte baiano.  
Até o momento, especialistas tem trabalhado com duas hipóteses para o a enfermidade. Uma delas é a de que ela é causada por um agente transmissor, embora não saiba qual. A segunda, é a de que a enfermidade seria a Síndrome de Raff – doença que já teve casos registrados no norte do país, e que é causada pela toxina de uma alga, que por sua vez é ingerida por peixes de água doce.

Vendas de peixe.
O surto da indefinida enfermidade que causa fortes dores musculares e urina preta debilitou pelo menos onze pessoas em Salvador desde a última semana, mas estas não foram as únicas prejudicadas. Após a suspeita de que a doença tenha sido causada pela ingestão de carne de peixe, vendedores viram sua receita despencar neste último fim de semana. 


Um dos espaços de maior comércio de frutos do mar da capital, o Mercado Popular, situado na região de Água de Meninos, sentiu severamente o impacto da suspeita na população pelo seu produto. De acordo com Antônio Neves, comerciante local, a queda, para todo o espaço beirou aos 70%, e, quem aguardava bons resultados para um sábado comum desta época do ano, amargou prejuízos. 

“Nesta época do ano, costumo vender num sábado, aproximadamente R$ 5 mil em frutos do mar. Ontem, não cheguei R$ 1 mil”, relata Neves, que trabalha no local há 14 anos, e vende boa parte dos peixes que costumam fazer a festa na mesa dos baianos nesta temporada, como o vermelho, corvina e o badejo – este, inclusive, apontado como um dos peixes sob o qual caiu a suspeita da contaminação.
Segundo o vendedor, essa suspeita contribuiu para um alarde entre os clientes que demorarão mais tempo para retomar o consumo. “Quando sai alguma notícia dessa, as pessoas ficam muito assustadas e querem evitar aquilo ao máximo. Mas, o peixe que estaria contaminado são vendidos por ambulantes, sem os cuidados, ficando muito exposto, de uma forma que não vendemos aqui”, explicou ele, ao mostrar seu produto, bem refrigerado, e guardado no estoque. 

Logo após a constatação do surto da doença misteriosa, pescadores de Guarajuba, no litoral norte, denunciaram que um grupo de ambulantes locais vendia peixes de má qualidade comprados em Salvador, no balde com água e formol aos turistas, mentindo também sobre a proveniência dos pescados. 
Ainda de acordo com Antônio, o peixe que seria vendido pelo grupo é bem mais barato que o badejo ou olho de boi e atende pelo nome de “piramboca”. Sobre a prática de colocar formol no peixe, Antônio, destaca que isso não é feito pelos comerciantes do Mercado Popular e critica o uso. “Na obsessão de querer vender a qualquer custo, alguns comerciantes acabaram por prejudicar a categoria inteira”, destacou.
Embora receosos com a nova enfermidade, consumidores como a lojista Jeane Cerqueira, acham que os casos da doença misteriosa, são, até o momento, isolados, e não vê motivos reais para evitar o consumo de peixe, já que costuma ser cuidadosa em todo fruto do mar que compra. 
“Nunca compro qualquer fruto do mar vendido no meio da rua, em baldes. Essa não é a forma correta de conservá-los, e a gente fica muito vulnerável ao consumir um produto desses. Continuarei dando preferência aos mercados que são fechados, climatizados ou onde os produtos estejam bem armazenados no estoque. São mais caros, porém mais seguros”, explica a lojista.
 RECUPERAÇÃO. 
Apesar de resultados amargos para o fim de semana, o presidente da Associação de Permissionários do Mercado Popular, Luiz Carlos de Jesus, estima uma melhora nos próximos dias. A avaliação é de que a queda de vendas no último sábado não deve interferir no comércio de frutos do mar na capital para o verão.  


“Pouco a pouco, o caso vai ser esclarecido e as pessoas vão perceber que não precisam temer o consumo do peixe aqui. Até porque, as suspeitas recaiam sobre peixes de água doce, que nós não vendemos aqui”, avalia Luiz Carlos, que estima uma recuperação já nos próximos dias com a proximidade das festas de fim de ano.

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