Resumo da notícia.
- Depois de analisar um total de 20
vinhos e cervejas, os especialistas descobriram níveis de glifosato em
todos os produtos, exceto em uma cerveja.
- A substância é apontada por alguns
cientistas como cancerígena e acusada de ser possível responsável por
casos de linfomas não-Hodgkin.
- Entre as cervejas, os maiores
níveis foram registrados nas Tsingtao, Coors Light, Miller Lite, Budweiser
e Corona Extra.
Uma análise
feita pelo Pirg (Grupo de Pesquisa de Interesse Público dos Estados Unidos) com
20 tipos de cervejas e vinhos revelou que apenas uma delas, a Peak IPA, não
apresentava níveis de glifosato.
A substância é apontada
por alguns cientistas como cancerígena e acusada de ser possível responsável
por casos de linfomas
não-Hodgkin. Um relatório da Agência Internacional
de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) também classificou a substância como
"provável carcinógeno humano" em 2015.
Entre as cervejas, os
maiores níveis foram registrados nas Tsingtao, Coors Light, Miller Lite,
Budweiser e Corona Extra --vale ressaltar que a pesquisa analisou lotes de
produtos americanos, que não necessariamente são iguais aos vendidos aqui.
Embora os níveis de
químicos estejam abaixo da medida estabelecida pela OMS como "ruim",
Kara Cook-Schultz, diretora do departamento de tóxicos do Pirg, adverte que a
prevalência mundial de herbicidas na natureza é preocupante. "Se
encontramos esse nível de glifosato no vinho e na cerveja, mesmo com seus fabricantes
dizendo que não estão usando o glifosato, isso indica que há glifosato em
muitos outros produtos", diz.
Agrotóxico presente na
agricultura brasileira.
Diferentes empresas
usam o glifosato em suas produções, entre elas, a Monsanto, agora adquirida
pela Bayer, e que no passado já foi condenada a pagar R$ 1,1 bilhão a um
paciente que alegou que seu câncer havia sido causado pelo agrotóxico --no caso
dele, um jardineiro, o contato com o agrotóxico se deu por aplicar o produto em
plantações.
De acordo com
informações do Ministério da Agricultura, o limite máximo de resíduo pela lei
brasileira para glifosato em soja, por exemplo, é metade do autorizado na
Europa. "No Brasil o limite é 10 ppm (parte por milhão), na Europa é 20
ppm", informou a assessoria de imprensa ao UOL VivaBem*.
Pedro Cristofoleti*,
agrônomo e professor da USP (Universidade de São Paulo) -- ESALQ (Escola
Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), afirma que, dentro das regras
regulamentárias, o produto é seguro e pode e deve ser mantido até que seja
substituído por nova tecnologia. "No passado, a falta de conhecimento,
sobretudo de pequenos agricultores, resultavam em práticas perigosas. Ainda não
estamos no nível ideal, mas a agricultura brasileira já evoluiu em nível de esclarecimento",
indica.


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