FONTE: O Dia - Carolina Moura, TRIBUNA DA BAHIA.
Pacientes cobram medicamentos já aprovados pela
Anvisa que evitam transplante.
Em 2000,
antes mesmo de engravidar dos seus dois filhos, a professora de yoga Andrea Pires Soria, de 44 anos, foi diagnosticada com hepatite C. Ela não sentia
nenhum sintoma e só descobriu que estava com a doença quando fez um exame de
sangue de rotina.
Hoje,
ela é mais uma entre tantos outros pacientes que aguardam pela chegada de novos
medicamentos na rede pública para uma possível cura da doença, que pode levar
ao câncer do fígado, cirrose e morte.
Três
novos remédios aprovados em julho pela Anvisa e com previsão de estar
disponíveis no SUS até dezembro deste ano representam uma nova esperança para
quem luta contra a doença.
Isso
porque as novas medicações têm um percentual de até 90% de cura, com duração de
12 semanas e efeitos colaterais quase nulos em comparação à terapia anterior,
que leva 48 semanas.
“Ficar esperando
é desagradável. A minha expectativa, em geral, é ficar curada”, conta Andrea.
De
acordo com Mário Pessoa, hepatologista da Sociedade Brasileira de Hepatologia,
os medicamentos antigos estimulavam o sistema imunológico do portador a lutar
contra o vírus, mas não tinham ação direta.
Já os
novos antivirais se acoplam ao vírus e inibem a replicação e reduzem os efeitos
colaterais — os mais brandos são dores de cabeça, náusea e fadiga.
Com o
novo tratamento, a chance de reduzir a lista de pessoas que aguardam por um
novo fígado na fila de transplantes é alta. “A ideia é tratar todos os
pacientes que têm fibrose avançada”, diz Pessoa.
“Eu
espero parar a progressão da doença em mais de 90% dos pacientes, evitando
assim a necessidade de transplante ou de perda”, completa.
O
Ministério da Saúde, informou, em nota, que “como esses produtos foram
incorporados no SUS em julho deste ano, a oferta está dentro do prazo previsto
(180 dias para a realização do processo de aquisição e distribuição)”.
O órgão
também anunciou ontem um novo exame para avaliar o grau de comprometimento do
fígado dos pacientes com hepatite C.
Vírus age em silêncio.
Doença
contagiosa causada pelo vírus C (VHC), a hepatite C é silenciosa e
assintomática. Um grande número de infectados não sabe ainda que contraiu o
vírus.
Estima-se
que haja 2,6 milhões de pessoas infectadas atualmente, mas apenas 15% são
diagnosticadas e dessas 300 mil, 0,5% fazem tratamento.
Quem
teve contato com sangue infectado, manteve relações sexuais sem preservativo ou
realizou transfusão de sangue deve fazer o exame de sangue que pode identificar
o vírus.
Novo exame testa estágio da doença.
Novo
exame que passará a ser oferecido no SUS, a Elastografia Hepática Ultrassônica
vai facilitar o diagnóstico aos pacientes que irão utilizar os novos
medicamentos para o tratamento da hepatite C (sofosbuvir, daclatasvir e
simeprevir).
Segundo
o Ministério da Saúde, o exame é seguro, eficaz e efetivo para diagnóstico e
definição do estágio da fibrose hepática quando comparada à biópsia hepática —
atual padrão de diagnóstico —, com a vantagem de ser indolor e não invasivo.
O teste
para detecção do vírus, feito por exame de sangue, é fácil, rápido, gratuito e
disponível na rede pública.

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