FONTE:
, Lígia Formenti, Brasília (noticias.uol.com.br).
Uma em cada dez brasileiras contaminadas por HIV, o vírus
causador da Aids, é prostituta. Desde o início da epidemia no país, o grupo
apresenta uma alta taxa de prevalência da doença: cerca de oito vezes maior do
que entre a população em geral.
Embora seja apenas uma estimativa, os números demonstram
as razões da preocupação de especialistas com o impacto da proibição feita na
semana passada pelo Ministério da Saúde de campanhas de prevenção com linguagem
que vai além do "use preservativo".
"Prevenção é muito mais do que isso", diz a diretora da Coordenação do Programa Estadual de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)/Aids, Maria Clara Gianna. Maria Clara avisa: materiais voltados para população específica, com linguagem própria e procurando ressaltar a autoestima, continuarão. "Esse sempre foi o modelo usado no país. Ele é bem-sucedido e não há razões para querer alterá-lo", diz.
Ela afirma que na semana passada comunicado de outros programas locais de prevenção de DST/Aids deverá ser encaminhado ao Ministério da Saúde para defender a estratégia até agora usada. Maria Clara diz ter ficado surpresa com a decisão do ministério de censurar a peça "Sou feliz sendo prostituta".
"Prevenção é muito mais do que isso", diz a diretora da Coordenação do Programa Estadual de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)/Aids, Maria Clara Gianna. Maria Clara avisa: materiais voltados para população específica, com linguagem própria e procurando ressaltar a autoestima, continuarão. "Esse sempre foi o modelo usado no país. Ele é bem-sucedido e não há razões para querer alterá-lo", diz.
Ela afirma que na semana passada comunicado de outros programas locais de prevenção de DST/Aids deverá ser encaminhado ao Ministério da Saúde para defender a estratégia até agora usada. Maria Clara diz ter ficado surpresa com a decisão do ministério de censurar a peça "Sou feliz sendo prostituta".
Mensagem.
O material foi suspenso pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, três dias
depois de ser lançado. Como justificativa, Padilha afirmou que a peça não
trazia mensagem de prevenção. "Esse não foi o primeiro material produzido
com essa abordagem. Não são raras as mobilizações feitas com a participação de
grupos específicos", diz a diretora da Coordenação do Programa Estadual de
DST/Aids.
O pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) Alexandre Grangeiro diz temer
o impacto da reação do ministério. "O veto sinaliza para a sociedade que o
governo brasileiro está se filiando a uma estratégia contrária ao
reconhecimento da prostituição como profissão. Isso acaba jogando o grupo à
clandestinidade, o que as torna ainda mais suscetíveis à violência."
Conhecimento.
Grangeiro afirma haver um escasso conhecimento sobre a epidemia de Aids entre
as profissionais do sexo. "Ser soropositiva pode representar ficar sem
trabalho. Há uma pressão para que elas deixem a atividade nessas
condições", diz. O preconceito afasta as prostitutas dos centros de saúde.
"O maior desejo delas é serem reconhecidas." A estimativa é de que a
prevalência de aids entre prostitutas seja de 6%. Na população em geral é de
0,56%. "Desde o início da epidemia, o grupo mostrou-se vulnerável. Algo
que nunca caiu e que apresenta agora tendência de agravamento", diz.
"Os números poderiam ser maiores. Os indicadores mostram ser necessário um
reforço maior do que já vem sendo feito."
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